Roda de Armas Afiadas: Identificando o Verdadeiro Inimigo

Breve Revisão dos Textos Sobre a História do Treinamento da Mente

Estamos conversando sobre o texto Roda de Armas Afiadas, de Dharmarakshita, que pertence ao conjunto de textos de treinamento mental, e parece ser o precursor deles. Dharmarakshita foi um dos professores de Atisha, e Atisha estudou esse texto com ele. Mais tarde, ele o transmitiu a Dromtonpa e ao Tibete. A partir de Dromtonpa, sua transmissão e estudo continuou na linhagem da tradição Kadampa e, a partir daí, foi para todas as tradições do Budismo Tibetano.  

O texto fala sobre a prática de dar e tomar, tonglen, na qual tomamos o sofrimento dos outros e lhes damos felicidade, liberdade desse sofrimento e, finalmente, o estado de iluminação de um Buda. 

O foco principal, que também encontramos mais tarde na tradição de treinamento da mente, como por exemplo, no texto Treinamento da Mente em Sete Partes, de Geshe Chekawa, é fazer tonglen com as três atitudes venenosas, que são as causas do sofrimento, e derivam do apego a um “eu” cuja existência é impossível. Esses três venenos são o desejo, o apego ou a ganância - esses três vêm juntos em um único pacote -, a raiva e a ingenuidade. Eles provocam o comportamento compulsivo do carma, que produz, como resultado de seu amadurecimento, o sofrimento.     

Conforme costuma ser mencionado nos vários textos de meditação, o maior obstáculo à concentração e à meditação mais profunda é o desejo. E aquele que é impulsionado biologicamente pelo prazer sexual é sua forma mais forte. As partes principais do texto passam então a discorrer sobre os obstáculos que nos impedem de fazer a prática de tonglen e ajudar os outros com o sofrimento que resulta do comportamento compulsivo destrutivo.  

O que acontece é que temos vontade de fazer uma coisa e, ingenuamente, sem discernimento e sem saber quais serão as consequências, entramos em situações onde repetimos padrões de comportamento anteriores ou os outros agem conosco de maneira destrutiva, semelhante a como agimos (no passado) com outros.      

Dharmarakshita aponta que, quando percebermos outras pessoas agindo conosco de maneira desagradável, precisamos reconhecer que isso é o amadurecimento de um padrão nosso do passado, de agir de maneira destrutiva com os outros. Portanto, precisamos parar de repetir esses velhos padrões e começar a agir de maneira oposta. Isso nos dá uma indicação muito boa do que procurar em nosso próprio comportamento destrutivo e como mudar nossa maneira de falar e agir, além de perceber que essas circunstâncias não são apenas dolorosas, elas também nos impedem de ajudar os outros. 

Toda essa discussão sobre carma é para conseguirmos superar os efeitos negativos e prejudiciais de nosso comportamento cármico passado, de forma a ajudar melhor os outros e praticar tonglen com esse objetivo de ajudá-los. 

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