Desconstruindo a Inveja e o Ciúme: Nenhum Eu ou Você Especial

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Na noite passada estávamos falando sobre a inveja e pensei que este seria um tema interessante para nos acompanhar em nossa discussão sobre o “self”, o “eu” – como nós   existimos, como os outros existem - que está extremamente ligado às questões da inveja. Nós vimos que a inveja faz parte da hostilidade, na visão budista. É um estado mental, uma atitude emocional focada nas realizações das outras pessoas: na sua aparência, na sua inteligência, em suas posses, na quantidade de dinheiro que têm; em seu sucesso, na posição que têm no trabalho; e até mesmo em seus relacionamentos – se têm um parceiro, e nós não temos; se têm um filho, e nós não.

Inveja é a inabilidade de aceitar essa realização dos outros: “Eu não consigo aceitar terem conseguido isso.” Há ressentimento aí. A inveja tem como base o apego à nossa própria realização, à nossa própria situação. Se olharmos bem, veremos que esse apego, aqui, significa estarmos focados em uma área específica da vida. Digamos, na quantidade de dinheiro que temos no banco. Uma área em que os outros conseguiram mais do que nós, e então exageramos as qualidades positivas e a importância dessa área da vida. Em nossa mente, transformamos isso em um dos aspectos mais importantes da vida e baseamos aí a nossa autoestima. Essa é a coisa mais importante na vida, quanto dinheiro você tem no banco; isso é o que importa na vida, sua aparência. Não conseguimos aceitar que alguém seja melhor do que nós nessa determinada área. Isso é inveja O Budismo nos mostra que o oposto é alegrar-se com as realizações alheias.

Esse é o primeiro nível para lidarmos com o problema. Mas por trás disso está a questão do "self", do “eu”. Porque realmente, exagerar demais um aspecto da vida e basear toda nossa autoestima nisso, é uma forma confusa, ou equivocada, de pensar. Essa é a confusão. É só por isso que você tem inveja de alguém que está melhor do que você em determinada área da vida. E isso entra na questão da auto identidade. “Quem sou eu?” Definimo-nos através de nosso dinheiro ou boa aparência ou posição na vida. Muitos o fazem, não é verdade? Tipo, “sou médico”, “sou dona de casa”, etc.

Nós enfatizamos demasiadamente o “eu”, o transformamos em uma identidade sólida: este é o verdadeiro “eu”, é a única coisa que importa na vida. E esquecemos de tudo mais que existe na vida, todas as outras coisas perdem a importância. “O que importa é só a quantidade de dinheiro eu tenho no banco. Assim meus pais disseram.” É importante reconhecer que isso não se aplica apenas às com coisas materiais, à dinheiro ou posição social. A inveja pode também estar focada na afeição. Receber afeição e amor é a coisa mais importante na vida. Achamos que a outra pessoa tem e nós não, e baseamos toda nossa autoestima nisso. Isso é muito mais sutil, não é? Claro que sentimos muita inveja quando alguém tem um parceiro amoroso e maravilhosos e nós estamos sozinhos. É importante olharmos para a inveja em um nível mais profundo, a fim de nos certificarmos de que chegamos na raiz do problema.

Vamos tirar alguns minutos para refletir sobre isso. Tenho certeza de que todos tivemos momentos de sentir inveja, talvez mais do que apenas momentos. Passamos por fases em nossas vidas em que nos sentimos realmente mau por causa da inveja. Vamos tentar identificar dentro de nossa experiência o que estava por trás disso: vamos lembrar o que nós já transformamos na coisa mais importante da vida e então sentimos inveja quando vimos que alguém tinha mais do que nós? E reflita: isso é realmente a única coisa que importa na vida e é somente isso que me descreve? Quem sou eu? “Sou alguém que não tem um parceiro”. Isso é a única coisa a seu respeito? Se você morresse e alguém tivesse que resumir sua vida em uma frase, é isso que gostaria de ter no seu epitáfio? Essa seria a única coisa pela qual gostaria de ser lembrado? Essa é uma boa maneira de perceber a tolice de tudo isso. “Não tenho muito dinheiro no banco.”. “Não tenho boa aparência.”

Quando pegamos coisas bem tolas, vemos o quanto é uma tolice focar apenas em uma coisa. “Isso é o que sou. É o mais importante e não consigo suportar o fato de que alguém é melhor do que eu nisso.” Esse é uma maneira de começarmos a superar isso: vendo o quanto é ridículo. Vendo o quanto tudo isso é ridículo, você vai conseguir abandonar essa forma de agir. Vamos pensar em nossa própria experiência pessoal, nossa própria experiência com a inveja.

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Vimos, talvez partindo de nossa própria experiência, do que estamos falando ao falar de inveja, pelo menos na visão do Budismo. Se analisarmos, veremos que é a inveja envolve o que chamamos na terminologia budista de “ganância.” A inveja não é apenas enfatizar uma área na vida como sendo a mais importante e não suportar o fato de que alguém está melhor nessa área do que nós. Como inveja envolve ganância, envolve também: “Quero isso para mim.” Isso é inveja, somos invejosos.

Pode haver duas situações: podemos não ter uma coisa e querer a da outra pessoa, ou podemos ter, mas querer mais.  O segundo caso, em que já temos uma determinada quantidade, mas queremos mais por causa da ganância, leva a "competitividade". Queremos superar a outra pessoa.

Há muitos estados emocionais perturbadores que surgem associados a este aspecto muito básico que é definido como “inveja.” E por trás disso está outra vez um problema com nosso conceito de “eu,” porque pensamos que “eu sou especial.” O “eu” é muito importante. “Eu sou especial e eu deveria ser o melhor, eu deveria ter mais.” Não consideramos todos como iguais e não achamos que seria legal se todos tivessem as mesmas coisas. Temos que ser melhores, por causa do forte sentimento de “eu” - diferente de todos demais, especial.

Ontem nós falamos sobre como a inveja e a competição são reforçadas por muitos aspectos de nossa cultura ocidental. Falamos um pouco sobre toda esta ideia do capitalismo como a melhor forma de democracia. Tudo se baseia em ir melhor do que os outros e em toda a análise ocidental sobre o desenvolvimento da sociedade baseada na sobrevivência do mais apto: somente aqueles que são mais aptos e mais fortes sobreviverão. Dessa forma, você tem que competir com todos.

Isso repercute em nossa incrível obsessão por esportes competitivos, como o futebol, e na glorificação do vencedor, que se torna um grande herói - remontando aos dias dos jogos olímpicos na Grécia antiga. Também somos obcecados por revistas que listam as pessoas mais ricas do mundo. São elas que conseguem mais publicidade. E então há a questão do voto e dos candidatos: “Sou melhor do que todos os demais”. Há tantas coisas em nossa sociedade que reforçam a inveja e a competição. E, naturalmente, isso é como uma doença, que infecta a maneira como conduzimos as nossas vidas e como lidamos com o trabalho, como os relacionamentos, e assim por diante. Se alguém estiver melhor do que nós, ficamos com inveja. Temos que competir e ser melhores.

Mas a inveja não está sempre associada à competição. Há uma outra questão a respeito do “eu” e de como eu existo: a questão da autoestima. Se tivermos a autoestima muito baixa, o que é um enorme problema na cultura ocidental, por várias razões, podemos sentir muita inveja daquilo que os outros conseguiram, mas sentimos que: “Eu provavelmente não conseguiria isso. Não sou bom o bastante” e nem sequer tentamos. De modo que a inveja não conduz necessariamente à competição. Você pode simplesmente desiste e sentir-se mal: "Pobre de mim. Todos são bem-sucedidos e eu sou um perdedor.” Essa ênfase excessiva, essa preocupação com o "eu" realmente está por trás de muitos problemas emocionais.

Na inveja o nosso foco está nas realizações das outras pessoas. O nosso foco está na outra pessoa - “Ela ganhou isso e eu não.” Dessa forma, somos hostis com aqueles que conseguiram algo que não conseguimos. Mas no ocidente também tendemos a experimentar muito o ciúme, cujo foco é ligeiramente diferente. O ciúme foca em alguém que dá algo a outra pessoa e não a nós. Ele é parecido com a inveja, mas o seu foco é um tanto diferente. “Você deu sua afeição e amor a outra pessoa e não a mim.” Não estamos irritados e tristes com a pessoa que recebeu esse amor; estamos tristes e irritados com a pessoa que não nos deu. Deu a outra pessoa. É interessante quando você analisa e vê a diferença.

Agora, se pensarmos bem, isso é realmente muito contraditório. Como poderíamos esperar que a pessoa com a qual estamos irritados - porque deu seu amor a outra pessoa e não a nós - mudasse de atitude se direcionássemos raiva e inveja a ela? Isso é realmente muito contraditório; é muito autodestrutivo, e de uma maneira muito ingênua. É engraçado, se você realmente analisar. Mas é a nossa estratégia. E está fadada ao fracasso. Nenhuma pessoa irá dizer: “Ótimo, me perdoe, agora vou amá-lo,” quando nos irritarmos com ela e gritamos: “Por que você sai com outras pessoas? Fique em casa comigo.” E se ela ficar em casa, será somente por culpa. Portanto, não estará realmente conosco; sua mente estará com outra pessoa, seu coração estará em outro lugar. E continuaremos a ser infelizes; não resolveu o nosso problema em nada. Ela sentirá pena da gente, então permanecerá conosco, segurando nossa mão. Mas será que isso é satisfatório?

É um pouco pesado, não é? Vamos gastar um tempinho tentando identificar se temos seguido essa estratégia e se isso tem nos levado ao sucesso. Somente quando você for capaz de rir disso, de ver como é ridículo, que realmente começará a entender: esta não é a maneira de resolver o problema. O ponto é: mesmo que você sinta ciúme e raiva, não demonstre.  Tente se livrar do ciúme e da raiva através de outros meios. Segui-los é simplesmente condenar ao fracasso o seu objetivo.

O ciúme é definido como intolerância à rivalidade ou à infidelidade, no sentindo de que a pessoa está dando algo a outra pessoa e não a nós. E pode ser que ela nos desse antes e não nos dá mais ou até que nunca tenha nos dado. Mas, claro, é muito mais doloroso se ela nos dava antes e agora não mais.

Novamente, isso é superestimar algum aspecto da vida. No caso, receber o afeto de alguém. E, novamente, isso tem como base um sentido muito forte de “eu” e de “você.” Há um grande sentimento de “eu” - “Eu quero receber; eu quero receber esse afeto, não quero que outra pessoa receba.” E o que é ainda mais forte, realmente, que esta solidificação do “eu” é a solidificação do “você.” “Eu quero isso de você. Não importa se há outra dezena ou centena de pessoas que me amam. Isso não conta; eu quero que você me ame.” Não é?

Se pensarmos bem, essa é a questão. O que eu quero dizer é que até existe a possibilidade de ninguém nos amar, mas na maioria dos casos isso não é verdade. Nós pensamos isso, não é? “Ninguém me ama, pobre de mim." Pense nisto: há muitas pessoas que nos amam. Nossa mãe nos ama, nossos amigos nos amam, nosso cão nos ama; há muitos seres que nos amam de um jeito ou de outro. Mas isso não conta - este é o ponto, isso não conta. Ignoramos isso, subestimamos o valor disso e sobrestimamos, sem razão alguma obter o amor de uma determinada pessoa. “Quero que você me ame”. Essa é a única coisa que importa.

Não é verdade? Isso é um exagero, não acham? Especialmente quando já experimentamos isso diversas vezes em nossa vida, com pessoas diferentes: “Ele é quem tem que me amar.” O que existe de tão especial nessa pessoa? E também o que existe de tão especial em mim, para essa pessoa ter que amar apenas a mim e a mais ninguém? Há duas questões aqui: O que de tão especial em mim e o que de tão especial no outro?

Vamos pensar nisso por um momento.

Existe algum motivo para que esta pessoa deva amar apenas a mim e a mais ninguém? E existe alguma razão para o amor dela ser tão importante e o das outras pessoas não? O que há de tão especial nela? Estas são questões bastante profundas, não são? Realmente, temos que reconsiderar a maneira que estamos vendo o mundo, a maneira como nos vemos e a maneira como vemos os outros. Existe alguma confusão aí, que está por trás de nossos problemas emocionais?

É muito importante reconhecer isso, pois assim saberemos no que realmente temos que trabalhar, no nível mais profundo, a fim de nos livrarmos desses problemas emocionais de uma vez por todas. Assim não nos livramos deles apenas quando eles surgem; nós tomamos as medidas preventivas para que não surjam novamente. Nunca mais. E a única maneira de realmente impedir que surjam novamente é compreender como existimos, como os outros existem, como o mundo existe. E sermos realmente capazes de parar nossas projeções inconscientes de mitos e fantasias. O que é a realidade dos relacionamentos com alguém? O que podemos de fato esperar e o que são expectativas absolutamente irreais?

Podemos ver que no que diz respeito ao ciúme, está tudo muito ligado à posse. “Eu quero você só para mim." E há uma imagem encantadora que pode ajudar nisso, que penso ser bastante relevante - não somente na questão da posse, mas também do ciúme. É a imagem de um pássaro selvagem. Digamos que temos um alimentador de pássaros, uma pequena casinha onde colocamos pedaços de pão ou sementes em nosso jardim; ou talvez na nossa janela, para alimentar pássaros selvagens. E um belo pássaro selvagem vem ao nosso alimentador, digamos na janela. Agora, qual atitude tomamos diante deste belo pássaro selvagem?

Ele é um pássaro livre. Se vier a minha janela - que maravilhoso, que lindo. E podemos apreciar a beleza do tempo que esse pássaro selvagem passa conosco. E talvez, se formos realmente afortunados, esse pássaro selvagem se sentirá bem em nossa janela, fará um ninho no jardim e permanecerá por uma estação. E assim podemos apreciar a presença de um pássaro selvagem em nosso jardim por uma estação inteira - que lindo e encantador. Mas eventualmente, esse pássaro selvagem irá partir, talvez após alguns minutos ou uma estação. Afinal de contas ele é um pássaro livre, selvagem. E se o pássaro retornar outra vez, será maravilhoso, não será? Mas este não é o único pássaro selvagem que existe, e seria uma tolice querer que apenas esse determinado pássaro apareça. Se um outro pássaro selvagem aparecesse, também poderíamos apreciar sua beleza enquanto estivesse conosco.

Esse tipo de ciúme: “Eu quero que o pássaro apareça somente para mim, que não apareça para mais ninguém, e não quero nenhum outro pássaro”. Desse modo, sentimos ciúme se o pássaro selvagem aparecer para mais alguém. Isso é tolice, não é verdade? Não é adequado a um pássaro selvagem. Na verdade, se realmente gostássemos do pássaro, nos alegraríamos - aqui está a parte budista. Nos alegraríamos com o fato de que durante as viagens dele outras pessoas foram amáveis o bastante para alimentá-lo também. E como eu disse, se o pássaro voltar, é um bônus. Não esperamos ou exigimos: “Você deve voltar ano que vem.” Não dizemos isso. Mas, se quando esse pássaro vier até a nossa janela, tentarmos capturá-lo, ele ficará com muito medo, não é mesmo? E vai fugir, sair voando e não voltará. E se conseguirmos capturá-lo e o colocarmos em uma gaiola, que é basicamente uma prisão, quão feliz esse pássaro seria? Será que só porque queremos ele para nós, esse pássaro iria se sentir confortável e a vontade para fazer um ninho e por ovos na gaiola? Não, de jeito nenhum.

Essa imagem é extremamente útil para pessoas que entram em nossas vidas e amamos, inclusive nossos filhos. São como pássaros selvagens que entram em nossas vidas por pouco tempo. E estão livres. Vão pra cá e pra lá; têm outros amigos. E se voltarem mais tarde para a nossa vida e continuarem a nos visitar e tudo mais, isso será realmente maravilhoso, não será? Podemos apreciar o tempo que passamos juntos agora, e se voltarem também. Mas se tivermos ciúme quando forem encontrar outra pessoa, ciúmes por não dedicarem todo seu tempo para a gente, qual efeito isso terá no nosso relacionamento? Especialmente se mandarmos ficarem em casa, sempre estarem conosco e não terem outros amigos. Isso não se aplica apenas na relação com os filhos, mas também com as pessoas que amamos, ou seja, amigos, parceiros. Se tentarmos mantê-los em uma gaiola, como poderão ser felizes? E se tentarmos capturá-los e pôr numa gaiola, não vamos assustá-los? E se conseguirmos prendê-los na gaiola e eles permanecerem por culpa, quão felizes eles e nós estaremos com isso?

É muito útil ver aqueles que amamos, sejam quem forem, como belos pássaros selvagens que entraram em nossa vida. E apreciar a beleza do tempo que passamos juntos. E naturalmente, esta pessoa terá outros amigos, outros interesses, estará com outras pessoas. Talvez more conosco, fique conosco, como se fizessem um ninho, mas também pode partir. E, se realmente amarmos esta pessoa, esperaremos e nos alegraremos que seus amigos sejam tão gentis com quem amamos quanto nós, não é? “Desejo que você realmente tenha em sua vida bons amigos e pessoas que te amem.”

Essa é uma maneira muito mais saudável de tratar nossos relacionamentos, nos ajuda a evitar todas essas situações de ciúme e posse. Ajuda realmente a apreciar o tempo. É como se você fosse um dia visitar alguém que não vê há algum tempo e tudo o que essa pessoa fizesse fosse se queixar de você não poder ficar mais tempo, ao invés de apreciar o tempo que têm juntos. Vamos pensar nisso e tentar aplicar esta imagem do pássaro selvagem aos nossos entes queridos. Especialmente àqueles que sentimos inveja por passarem tempos com outras pessoas ou por amarem outras pessoas.

Bem. Falamos nessa última parte sobre o ciúme, que é um tipo de intolerância perante a rivalidade ou a infidelidade. E também falamos que ficamos muito tristes quando alguém em quem focamos dá sua afeição ou alguma parte de seu tempo a outra pessoa em vez de nós. E por trás disso estão os problemas com o “eu” e o conceito de “eu” e “você”. “Você é especial, tenho que receber isso de você; e eu sou especial, tenho que ser o único a ganhar isso.”

Um outro aspecto do problema com o “eu”, que subjaz essa questão, é o aspecto da insegurança. Nos sentimos inseguros quanto ao nosso próprio valor e ao amor dos outros por “mim” – esse forte “eu” - e sentimos que este grande “eu” será ou foi abandonado, se você estiver com outra pessoa.  Você passou seu tempo com outra pessoa.

Dessa forma, a questão do valor próprio com certeza tem muito a ver com nossa compreensão de quem somos e do que é o “eu”. Mas eu gostaria, para completar, antes de entrarmos nisso, terminar com o que pode ter ficado para trás ao utilizarmos a imagem do pássaro selvagem, mesmo que brevemente. Olhamos para isso do ponto de vista da pessoa que está tentando pôr o outro na gaiola, mas frequentemente estamos do outro lado, sendo o pássaro selvagem; alguém está tentando nos prender em uma gaiola. Como lidamos com isso?

Creio que aqui há diversas coisas envolvidas. Antes de tudo - e sempre muito importante - precisamos esclarecer a veracidade da situação. Frequentemente em um relacionamento, mesmo em um casamento, mas também fora dele, cada um tem uma ideia diferente do que o relacionamento envolve e quais são os limites. Creio que é realmente importante esclarecer isso. Senão, alguém está esperando algo que simplesmente não acontecerá ou que não é como vemos as coisas, estejamos em um relacionamento sexual, um casamento ou uma amizade.

Isto é importante para ambos os envolvidos no relacionamento; ambos precisam esclarecer isso, e preferivelmente antes dos problemas surgirem. Entretanto, você deve evitar o extremo de constantemente negociar e renegociar o contrato e sempre falar sobre o “nosso relacionamento” e como você vê o “nosso relacionamento,” ao invés de viver o relacionamento. E que ambos os lados sejam honestos e não se fechem, mas comuniquem à outra pessoa quando se sentirem machucados. Seja porque “você não está em minha gaiola” ou “você está tentando me pôr em uma gaiola.” Mas tentemos ser hábeis ao fazer isso, sem a intenção de fazer a outra pessoa sentir culpa e forçá-la a fazer o que queremos.

Porque na vida é importante saber quais são os efeitos de nosso comportamento. Quero dizer que frequentemente somos muito ingênuos nisso e achamos que podemos agir como quisermos e que isso não afeta a outra pessoa. “Ninguém mais tem sentimentos, exceto nós; ninguém se machuca ou sente-se ferido, exceto a gente.” Há determinadas responsabilidades em termos de fidelidade sexual e coisas do gênero. Estes são limites que talvez queiramos manter. Mas há outros limites que naturalmente podem ser mais flexíveis.

Também acho que é importante não querer livrar-se da pessoa se uma parte do relacionamento não funciona: “Você é infiel e nunca mais quero vê-lo.” Você talvez se divorcie, mas isso não é motivo para deixar de amá-la e parar de importar-se com ela. E você não precisa vê-la diariamente. Mas relacionamentos não precisam ser tudo ou nada. Eles podem ser redefinidos. Do ponto de vista budista aí há carma envolvido. Há uma conexão cármica ali e ela não acaba se você apenas livrar-se da pessoa.

Talvez, nessa situação, sentamos a vontade de dizer: “Estou realmente machucado pelo seu comportamento e talvez tenhamos que acabar, mas não quero perdê-la como amiga, só preciso de um tempo. Preciso de alguns meses para me acalmar e lidar com a nova situação e depois eu gostaria de manter a nossa amizade. Me importo com você, senão nunca teria começado este relacionamento.” Essa é uma maneira muito mais madura de tratar do assunto. Não obstante o nosso lado, do pássaro ou de quem está tentando prendê-lo na gaiola. Seria uma maneira madura de tratar destas situações. Porque ninguém viverá em um conto de fadas feliz para sempre, isso não acontece.

Se não estivermos tratando aqui de um assunto sexual, mas apenas de tempo, de quanto tempo passamos com outra pessoa, como eu sugeri na noite passada. Se alguém estiver exigindo todo nosso tempo, podemos oferecer uma quantidade de tempo com essa pessoa ou fazer juntos uma determinada atividade e ela pode confiar na gente. Ela pode sempre contar com isso. Então ela não se sentirá abandonada. E quando estivermos com ela durante nosso encontro semanal ou tempo diário, estaremos 100% com ela, com todo o nosso coração e atenção, e não olhando para o relógio.

Bem, vamos examinar por um ou dois minutos esse ponto e aí prosseguiremos... Uma última coisa: Também devemos ser flexíveis em relação à moeda de troca - como os outros nos retribuem - como expressam ou nos dão amor. Precisamos ser flexíveis, e podemos compreender isso através da analogia da moeda. Isto nos ajuda a nos sentirmos mais seguros com relação ao amor de alguém. Porque este é frequentemente o problema, e nos sentimos inseguros: “Talvez me ame. Não me ama. Vou ser abandonado e assim por diante”.

Talvez queiramos o pagamento em Euros, mas esta pessoa tem somente Dólares ou Francos Suíços. E realmente não pode nos pagar, ela realmente não pode nos amar da forma que gostaríamos. Temos que estar dispostos a aceitar sua moeda e o que pode nos oferecer, e perceber que essa é uma expressão de seu amor. Isso é o que ela pode fazer. E a mesma coisa se estivermos do outro lado - esta é a moeda que eu tenho. Não tenho Euros, tenho somente Francos Suíços ou tenho somente Dólares. E também temos que ser flexíveis quando a outra pessoa disser: “Desculpe, não tenho dinheiro agora; não tenho tempo agora, estou muito ocupado. Eu não posso te encontrar essa semana devido a um imprevisto, mas nos encontraremos semana que vem.  Se eu ganhar mais dinheiro claro que adorarei retribuir e estar com você.” Sejamos flexíveis para compreender os termos da outra pessoa - quanto dinheiro têm, quanto tempo têm para nos dar. E a mesma coisa conosco: “Desculpe. Apenas não tenho dinheiro agora.”

Essa é uma visão útil. Embora amor e atenção não sejam produtos que possamos comprar, essa visão pode nos ajudar muito no que diz respeito à insegurança. Não estamos indo à raiz do problema, de como pensamos que existimos e de como pensamos que o outro existe, mas é uma maneira muito útil de temporariamente tratar do problema. Realmente muito útil.

Querem um momento para refletir sobre isso? Vocês pegaram a ideia? De fato, o importante é reconhecer a moeda do outro. Que moeda a outra pessoa tem? Frequentemente nem reconhecemos que estão nos dando algo. Esta é a moeda que têm. Nem mesmo reconhecemos que é uma moeda. “Eu não quero Zlotys Poloneses. Quero em moeda forte.”

Muito vezes, o marido trabalha para a esposa e ela é infeliz porque acha que ele não se importa com ela…

Funciona para os dois lados: o marido está o tempo todo tentando apoiar o que acontece em casa, a educação dos filhos e assim por diante. Se seu marido não se importasse e não lhe amasse, por que ele trabalharia tanto assim? Mas então a mulher se queixa, quem está em casa reclama: “Você não passa tempo suficiente comigo. Você não se importa comigo.” E vice-versa também. A mulher está investindo muito tempo para criar as crianças, cuidando da casa para torná-la um lugar agradável e tudo mais, inclusive talvez sacrificando ter sua própria carreira. E o marido pensa: “Bem, você fica em casa fazendo nada. Você não tem que trabalhar, você não tem que fazer nada. Está simplesmente se divertindo.” O marido exige que: “Quando eu chegar em casa, você deve dar toda sua atenção e tudo para mim” e não reconhece que talvez ela esteja cansada; talvez tenha tido um dia difícil com as crianças. Ambos os casos são importantes.

E como eu disse, quando aprendemos sobre a vacuidade e métodos de como aplicá-la, primeiramente o que enfatizamos é a importância disso, mas também temo que entender que é um remédio bem forte. E em muitas situações um remédio mais fraco pode ser a maneira preferível para tratar da situação e lentamente ir aprofundando.

Um dos grandes problemas na questão da vacuidade é a projeção. Há dois aspectos aqui. Um é que nossas mentes fazem automaticamente as coisas parecerem de uma maneira que não corresponde à realidade. Isso é automático, não é consciente. E mais, acreditamos que isso é verdade; que de fato corresponde à realidade. E a razão pela qual acreditamos é porque parece verdade. Isso é realmente insidioso, muito perverso. Parece ser a realidade. É difícil dizer isso na língua tibetana, mas é como experimentamos as coisas; é o que sentimos. Por isso acreditamos profundamente, fundamentalmente, acreditamos que é verdade. Por isso é um problema tão profundo, porque frequentemente pensamos que nossos sentimentos devem ser verdadeiros; o que sinto deve ser verdade. Nem questionamos.

Vamos analisar nosso velho amigo, a inveja, por exemplo. A mente projeta esta aparência dual de "eu" e “você,” em categorias sólidas. E o que acontece é que aqui um “eu” aparentemente concreto, que merece inerentemente conseguir ou receber algo não consegue o que almeja. Correto? Inerentemente. “Eu mereço isso. E não consegui. E você aí não merece, mas conseguiu.” É assim, não é mesmo? E machuca. É porque acreditamos que é verdade. Isso é realmente confuso, porque inconscientemente sentimos que o mundo nos deve algo, e é injusto quando outros ganham em vez de nós. E isso leva para uma outra longa discussão sobre por que o mundo deve ser justo. E é uma pergunta horrível a se fazer e não queremos realmente perguntar isso. Mas por que deve ser justo? Há uma “justiça” inerente no universo? Isso é muito ocidental. Isso está associado com a ideia ocidental de que “Deus é justo.” E que há justiça no universo. Nem todo mundo neste planeta acredita nisso ou pensa assim.

Esse sentimento de injustiça é reforçado culturalmente. Mas também surge automaticamente. O que está por trás do surgimento automático é que dividimos o mundo em duas categorias sólidas: vencedores e perdedores. Duas caixas com essas categorias aparentemente bastante sólidas e reais. Aqui está a caixa dos vencedores e aqui a dos perdedores. É como os pecadores e os justos. Esse dualismo é a mesma coisa que o pensamento bíblico. Aqui estão os vencedores e aqui os perdedores presos nesta caixa. E pobre de mim: estou na caixa dos perdedores. Nós sentimos assim, esse é o grande problema. Duas caixas, dualismo, e as pessoas estão em uma ou outra.

E nós nos colocamos em uma categoria permanente e sólida, e essa é a questão da permanência, do para sempre. Nos colocamos na categoria permanente e sólida de "perdedores". E colocamos a outra pessoa em uma categoria permanente e sólida, de “vencedor.” E não apenas nos sentimos magoados, mas também condenados. É como se estivéssemos sendo punidos: “Alguém está me punindo. É injusto.” E frequentemente nossa projeção está tão fora da realidade que começamos a pensar que “somos os únicos na caixa dos perdedores.” Somos altamente egocêntricos. “Sou o único na caixa dos perdedores e todas as demais pessoas estão na caixa dos vencedores.” Então realmente sentimos pena de nós mesmos e sofremos. Algo inerente em mim me torna um perdedor. “É uma maldição.” E mesmo se não pensarmos que estamos sendo amaldiçoados por algum Deus que deveria ser justo, mas não é, estamos presos nessa caixa, para sempre.

O que complica é que não somente somos ingênuos no que diz respeito à nossa existência e à como estas categorias existem, como também somos ingênuos no que diz respeito ao mecanismo de causa e efeito. Frequentemente é isso que está por trás da inveja e do ciúme. Pensamos que a pessoa que foi promovida no trabalho ou que está apaixonada não merece. Eles não merecem isso; nada nesta pessoa faz ela merecer tal coisa. Dessa forma negamos qualquer causa ou efeito. E da nossa parte, sentimos que deveríamos receber isso sem qualquer esforço. Ou que: “Fiz muito, mas ainda não recebi nada. Não recebi minha recompensa. É injusto.” Assim, não vemos que há muitas, mas muitas outras forças e fatores causais envolvidos, além de apenas o que eu fiz. O pouco que fiz.

Devo dizer que às vezes este sentimento que temos é reforçado culturalmente em um estado socialista, onde apenas porque você nasceu lá, sente que merece ganhar determinadas coisas do Estado sem ter que fazer nada por isso. E isso incita demais a sensação de "Eu tenho que receber isso".  “Eu tenho que ser amado." Muito interessante, se você olhar um pouco mais profundamente, toda essa concepção do que eu mereço. Alguém merece algo, mas será que as coisas acontecem sem nenhuma causa? Isso leva para um assunto altamente profundo. E frequentemente observamos isso no comportamento, por exemplo, de um adolescente: “Quão mal posso me comportar e ainda assim continuar sendo amado?”

Há muitos pontos interessantes aqui. Desculpe por eu lançar tantas questões de uma só vez. Talvez necessitemos de um tempinho para refletir sobre algumas delas. A questão de imaginar o mundo dividido em vencedores e perdedores e todas estas questões: “É injusto eu estar na caixa dos perdedores, não mereço”. Toda a questão de merecer algo. E “me esforcei tanto. Por que você não me recompensou? Por que continuo sendo um perdedor?” E naturalmente, o que frequentemente vem junto: “Você não merece estar na caixa dos vencedores.”

Vamos refletir sobre isso por alguns minutos. Estamos chegando em pontos muito delicados sobre o “eu” e nossas projeções, e ingenuidade. Quando falamos sobre a vacuidade - somente para compreender a sua relevância, isto refere-se a essas projeções, que não ser referem a nada real, então você estoura a bolha da fantasia. A projeção é como uma bolha - não há nada dentro, ela é vazia. Não tem nada dentro; não se refere à realidade. É como o vazio dentro da bolha, embora esse exemplo não seja absolutamente preciso, é uma boa imagem. Essa é a relevância para a nossa discussão, apenas no caso de vocês começarem a se preocupar: “Oh, meu Deus, ele está entrando em um tema secundário.”

Mas primeiro vamos identificar essas projeções. Caixas de vencedores e caixas de perdedores. Há três questões que estamos analisando. Será que eu divido o mundo e será é verdade que o mundo está dividido entre vencedores e perdedores? Essa é a questão número um. Será que eu acredito que o universo deva ser democrático e justo? E será que eu acredito que do meu ponto de vista, eu mereço inerentemente algo, como por exemplo, ser amado? Por nenhuma razão; não importa o quanto egoísta eu seja, não importa a maneira horrível de eu agir. Apenas inerentemente eu mereço.

Quando começarmos a desafiar nossas crenças, como por exemplo, nos perguntando por que o universo deve ser justo, por que mereço algo sem nenhuma causa? Por que as coisas devem ser dessa forma? É difícil achar a resposta. E frequentemente sobra somente a razão: “Porque é assim.” Apenas deve ser. O que na verdade significa: “Desejo que possa ser assim.” É como quando vemos pessoas na rua na época de Natal vestidas de Papai Noel. Pensamos que são realmente Papai Noel e que há realmente um Papai Noel. Há realmente um Papai Noel? “Ah sim, deve haver um Papai Noel.” Por que não deveria existir um Papai Noel? “Bem, deveria existir um Papai Noel.”

Mas infelizmente, embora possa parecer que o Papai Noel existe, porque há um na rua; não é assim. A aparência não corresponde à realidade, mesmo que pensemos que devesse existir um Papai Noel. Apenas porque pensamos que deva existir e parece que existe, isso não é razão para que exista. “Eu deveria ser assim.” É fantasia. Mas – e isto é muito importante para a compreensão do vazio - o vazio de, bem, Papai Noel não existe, mas o que existe então? Existe uma pessoa vestida de Papai Noel. A pessoa que parece com o Papai Noel ainda está lá. É só que a aparência não corresponde à realidade. A realidade é que há uma pessoa vestida de Papai Noel e que se parece com um Papai Noel. O vazio não nega tudo; nega nossa convicção na aparência projetada. Para ser mais preciso, o que o vazio está negando é que apenas porque a pessoa parece ser o Papai Noel, ela é o Papai Noel. Isso não prova que ela é o Papai Noel, apenas porque se parece com o Papai Noel.

Apenas porque me sinto como um perdedor, não significa que eu seja um perdedor. Mesmo se você me disser que sou um perdedor, isso não prova que sou um perdedor. Eu sou um ser humano, tentando, pronto. Nada nega isso. Eu não consegui, só isso. Vamos digerir isso por um momento.

[meditação]

Outro exemplo. Apenas porque você chegou tarde ou não me ligou, isso não prova que você não me ama. Eu sinto como se você não me amasse, mas isso não prova que você não me ama. Isso é lixo. Há uma palavra perfeita para isso no alemão: Quatsch. E essa é de muitas maneiras a chave para nos lembrarmos disso quando embarcamos nessas viagens. Isso é lixo. Quatsch! Não se refere à realidade, não corresponde à realidade. Pense nisso.

É o mantra da vacuidade: Quatsch!

Um ótimo mantra. Impossível para um tibetano pronunciar, mas muito bom. Pense nisso… Este medo excessivo é realmente engraçado. Só porque a pessoa chegou tarde ou não veio: “Fui abandonado.” Isso é lixo total. Quatsch total. A única realidade é que está atrasada ou não veio. Essa é a realidade. E então tentamos encontrar qual é a razão, que não é: “Oh, eu fui abandonado; pobre de mim, ninguém me ama. Aconteceu outra vez. Sou um perdedor. Todo mundo me abandona.” Quatsch, lixo.

Essa sensação, de que fui abandonado e sou sempre o perdedor, não prova que fui abandonado, que sou sempre um perdedor. A única coisa que demonstra é que a sensação é essa. E porque eu penso que é verdade e está de acordo com à realidade, isso dói. E assim, se eu parasse de acreditar, não doeria tanto, e eventualmente não eu nem mesmo teria essa sensação. Eventualmente, eu posso ver apenas que a pessoa está atrasada ou que encontrou outra pessoa, ou o que for. Essa é a situação e nós lidamos com ela.

Se tivermos um amigo que está sempre atrasado, lidamos com essa realidade. Ou pedimos para nos encontrar mais tarde ou damos um limite. Vou esperar até 2 horas e se você não tiver chegado ou ligado, vou comer ou sair. Você simplesmente lida com isso, sem nenhuma expectativa. Tudo está claro e você segue com sua vida e não se sente miserável. "Pobre de mim, o perdedor, estou abandonado.” Isso é lixo, Quatsch.

Mais um tempinho para digerir.

[meditação]

Assim, podemos lidar com a realidade da pessoa. Não transformamos estarem sempre atrasados em um monstro de sete cabeças. “Eu sei que você está sempre atrasado.” Eu tenho um amigo assim, sempre atrasado para qualquer compromisso, e de fato, nunca não levo muito a sério um encontro que eu marcar com ele. Porque eu sei que ele é muito ocupado e sempre aparece alguma coisa e eu simplesmente não me importo com isso. Eu amo meu amigo de qualquer jeito. Não é nenhum problema. Eu aceito a realidade. É muito importante em um relacionamento reconhecer a realidade da pessoa e não projetar expectativas de que ela seja da maneira que queremos.

O que frequentemente está por trás disso é o equívoco, muitas vezes reforçado culturalmente, de querer estar sempre no controle. Fato bastante presente entre os alemães.  Tudo sob controle. Tudo está em ordem, tudo está claro - então você se sente seguro. Você quer estar no controle. Isso é Quatsch; é um absurdo. Ninguém pode controlar a vida. A vida é muito complexa; coisas demais estão acontecendo e afetando o que ocorre. Temos que identificar muitos níveis de Quatsch, o que é lixo, que é uma expectativa irreal.

Vamos parar por aqui e pensar sobre essas coisas. Discutam entre vocês durante o almoço e depois, às 3, abriremos para algumas perguntas e discussão. E se você não estiver aqui no horário, vou chorar. Vou começar a chorar, porque vocês não me amam. Isso demonstra que vocês não me amam. Ou ainda mais hipócrita, isso prova que não me respeitam, ohhh. Várias pessoas sentem-se ofendidas, que não são respeitadas. Isso também é Quatsch, é lixo.

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