13 Quatro Exercícios para Desconstruir Aparências Enganosas

Exercício 12: Visualizando as Mudanças da Vida

O primeiro exercício para desconstruir aparências enganosas nos ajuda a dissolver impressões equivocadas que possamos ter de situações ou pessoas como permanentes. Precisamos desconstruir nossos sentimentos de que a aparência das pessoas, seu tipo de comportamento ou nossa reação a elas é fixo. Começamos olhando para uma fotografia ou simplesmente pensando em alguém com quem temos um relacionamento próximo no dia a dia, por exemplo um parente. Notamos como a pessoa parece existir permanentemente com uma idade, seja a idade atual ou do passado, e como a tratamos de forma insensível por causa disso. Por exemplo, nossos pais podem parecer ter sido sempre velhos e nossos filhos podem parecer ser sempre crianças.

Para desconstruir essa aparência enganosa, tentamos visualizar retratos de nosso parente que abrangem cada ano de vida, do nascimento à morte, projetando como ele será no futuro. Visualizando essas imagens em uma pilha vertical, como um baralho de cartas, imaginamos aquelas da infância até o presente de um lado da pessoa. Aquelas que se estendem até a velhice e a morte ficam do outro lado. Folheando a pilha, tentamos ver a imagem presente como apenas uma em uma série.

Apesar da verdade de nossa visão desconstruída, precisamos mante em vista o estágio atual de vida de nosso parente para nos relacionarmos de forma significativa. Portanto, tentamos alternar o foco na pessoa através de duas "lentes". Através da primeira, vemos apenas sua aparência atual como ela é. Através da outra, vemos sua imagem em mudança ao longo de sua vida. Depois de alternar entre as perspectivas restrita e expandida, tentamos perceber as duas simultaneamente, como ver persianas e a vista de uma rua movimentada atrás delas. Podemos fazer isso olhando para a foto enquanto projetamos as mudanças da vida sobre ela ou visualizando as duas imagens sobrepostas. Por último, deixamos a sensação se aprofundar de que a aparência de nosso parente como alguém que tem uma idade concreta não representa sua identidade duradoura. Quando tivermos avançado nessa prática, podemos repetir o procedimento, estendendo visualização para incluir imagens de hipotéticas vidas passadas e futuras, ou pelo menos a sensação de que existem.

O mesmo método pode nos ajudar a desconstruir o sentimento enganoso de alguém ter uma identidade permanente e singular baseada em um incidente perturbador. Por exemplo, quando um parente grita conosco com raiva, frequentemente vemos a pessoa por dias exclusivamente sob essa luz. Perdemos de vista nossas outras interações com a pessoa. Trabalhamos aqui apenas com nossa concepção de nosso parente. Podemos usar uma foto como ponto de referência para nos ajudar a retornar ao exercício se nossa mente divagar. No entanto, uma fotografia frequentemente nos prende à cena em que foi tirada e não é propícia para representar como vemos a pessoa agora.

Primeiro, focamos na ideia que temos sobre nosso parente, baseada no incidente, e notamos quão fixa ela parece. Nossa ideia pode tomar a forma de uma imagem mental ou uma impressão mais vaga da pessoa gritando com raiva, ou pode tomar a forma de um termo pejorativo para designar a pessoa. Em cada caso, geralmente acompanhamos nossa ideia fixa com uma emoção forte. Então, recordamos outro encontros em que a pessoa agiu de forma diferente. Frequentemente, ela foi afetuosa, bem-humorada, perspicaz, e assim por diante. Imaginamos essas cenas também com imagens mentais ou impressões vagas, com uma variedade de possíveis cenas futuras, em que a pessoa pode agir de forma diferente, como slides empilhados de cada lado de nossa ideia fixa. Seguimos então o restante do procedimento como antes.

No final, deixamos a compreensão se aprofundar de que a aparência aparentemente fixa de nosso parente como uma pessoa perturbadora é uma visão limitada e enganosa. Da perspectiva de uma vida inteira, qualquer cena emocional difícil diminui em importância. Mesmo que o comportamento perturbador seja um padrão recorrente na vida da pessoa, outros modos de comportamento também a compõem. Ainda assim, precisamos lidar adequadamente com o que acontece agora.

Para desconstruir nossos sentimentos aparentemente fixos em relação ao parente que nos perturba, podemos seguir a mesma abordagem, usando uma imagem mental ou uma impressão mais vaga da pessoa como ponto focal para representar cada sentimento. Como antes, podemos usar uma foto como ponto de referência. Quando nossos sentimentos parecem fixos, podem nos fazer esquecer outras emoções que sentimos em relação à pessoa ao longo de nossa história juntos. Podem também obscurecer o fato de que podemos nos sentir de forma diferente no futuro. Precisamos ver o que sentimos no momento em um contexto mais amplo. Ao mesmo tempo, precisamos respeitar o que sentimos e não reprimi-lo. Quando desconstruímos a irritação, por exemplo, ela já não parece nosso único sentimento em relação a alguém. Entretanto, precisamos lidar ela até que seus traços residuais desapareçam.

Praticamos a segunda fase do exercício sentados em círculo com homens e mulheres da maior variedade possível de idades e origens. Olhando para uma pessoa por vez e seguindo o procedimento como antes, primeiro desconstruímos sua aparência enganosa como pessoas que sempre foram e sempre serão da idade ou peso atuais. Depois, para desconstruir a aparência de que elas têm uma identidade aparentemente permanente e singular, desviamos o olhar e trabalhamos com nossa impressão de cada uma delas. Para ajudar a manter nosso ponto de referência, podemos ocasionalmente voltar a olhar para a pessoa. Praticar de frente para um parceiro não é propício para a desconstrução. A força de olhar nos olhos um do outro é muito compulsiva.

Para pessoas que não conhecemos, tentamos trabalhar com a impressão superficial que obtemos simplesmente olhando para elas. Tanto uma impressão positiva quanto uma negativa serve. Ter uma impressão positiva de alguém, por exemplo, como uma pessoa agradável sem problemas, pode nos tornar tão insensíveis à sua realidade quanto ter uma negativa. Quando tal pessoa nos fala sobre algumas dificuldades em sua vida, frequentemente as trivializamos ou não levamos a sério. Elas não se encaixam em nossa imagem da pessoa. Se descobrimos lados sombrios ocultos de seu comportamento, especialmente se acreditávamos que a pessoa fosse espiritualmente avançada, podemos reagir de forma exagerada e perder toda a confiança.

Durante essa parte do exercício, imaginamos cada pessoa no círculo dentro de um conjunto de imagens de outros aspectos conhecidos ou hipotéticos de sua personalidade e comportamento. Da mesma forma, meditações budistas tradicionais para alcançar a equanimidade possibilitam que vejamos todos potencialmente como amigos ou inimigos. Quando praticado corretamente, tal treinamento não leva a uma perda de confiança em todos. Pelo contrário, ele traz uma atitude realista e equilíbrio emocional. Concluímos essa fase do exercício desconstruindo de forma semelhante quaisquer sentimentos aparentemente permanentes em relação a cada pessoa, incluindo indiferença, também desviando o olhar e apenas voltando a olhar como referência.

A terceira fase do exercício segue o mesmo procedimento. Pulamos o trabalho com o espelho pela mesma razão de não praticar de frente para um parceiro. Primeiro, focamos em nossa autoimagem atual. Para desconstruir essa aparência enganosa como nossa identidade permanente e singular, tentamos vê-la no contexto de outros aspectos de nossa personalidade e comportamento, tanto no passado quanto hipoteticamente no futuro. Depois, repetimos o procedimento desconstruir quaisquer emoções aparentemente fixas que possamos sentir em relação a nós como somos agora.

Em seguida, para desconstruir nossa identificação com nossa aparência física atual ou com como éramos em determinada fase da vida, seguimos o mesmo procedimento trabalhando com uma série de fotos nossas, passadas e presentes. Acrescentamos a elas imagens projetadas de como poderia ser nossa aparência no futuro. Por último, usando as fotos meramente como referência, desconstruímos quaisquer concepções e sentimentos fixos que possamos ter em relação a nós em períodos particularmente difíceis de nossa vida. Como baseamos tais ideias e sentimentos em memórias seletivas, precisamos nos ver então na perspectiva mais ampla de muitas recordações.

Estrutura dos Exercícios 12: Visualizando as Mudanças da Vida

I. Ao focar em alguém de nossa vida

1. Ao focar em uma foto ou pensar em alguém com quem temos uma relação próxima no dia a dia

  • Notamos como a pessoa parece, ilusoriamente, existir sempre com a mesma idade, seja a atual ou uma ultrapassada, e como a tratamos de forma insensível por causa disso
  • Para desconstruir essa aparência, visualizamos retratos da pessoa de cada ano de sua vida, do nascimento à morte, dispostos em uma pilha vertical, como um baralho de cartas, com os da infância até o presente de um lado e os que vão até a velhice e a morte do outro
  • Folheamos a pilha e vemos a imagem presente como apenas uma em uma série
  • Alternamos o foco entre a aparência atual e real da pessoa e sua imagem em mudança ao longo de toda uma vida
  • Focamos nas perspectivas restrita e expandida, simultaneamente, como ver persianas e a vista de uma rua movimentada atrás delas
    • Deixamos a sensação se aprofundar de que a aparência aparentemente fixa da pessoa como tendo uma única idade é uma visão enganosa
  • Quando avançarmos nessa prática, repetimos o procedimento, estendendo a visualização para incluir imagens de hipotéticas vidas passadas e futuras

2. Enquanto nos concentramos em nossa ideia de alguém que nos perturbou recentemente, usamos uma imagem mental ou uma impressão mais vaga para representar a pessoa, e apenas olhamos ocasionalmente para uma foto como ponto de referência

  • Notamos que a nossa ideia baseada nesse incidente parece muito fixa
  • Para desconstruir essa ideia, recordamos outros encontros em que a pessoa agiu de forma diferente e imaginamos uma variedade de possíveis cenas futuras
  • Representamos essas cenas com uma imagem mental, um sentimento, ou os dois, e as imaginamos como slides empilhados de cada lado de nossa concepção fixa
  • Repetimos o restante do procedimento como antes

3. Repetimos o procedimento enquanto nos concentramos em nossos sentimentos aparentemente fixos em relação à pessoa que nos perturbou, usando uma imagem mental ou impressão mais vaga da pessoa como ponto focal para representar cada sentimento e apenas olhando ocasionalmente para uma foto como referência

II. Enquanto nos concentramos pessoalmente em alguém

1. Sentados em círculo com homens e mulheres da maior variedade possível de idades e origens

  • Repetimos o procedimento para desconstruir suas aparências enganosas de pessoas que sempre foram e sempre serão da idade ou peso atuais, olhando para cada pessoa por vez
  • Repetimos o procedimento para desconstruir suas identidades aparentemente permanentes e singulares, desviando o olhar, trabalhando com nossa impressão de cada um no contexto de um conjunto de imagens de outros aspectos conhecidos ou hipotéticos da personalidade e comportamento da pessoa, e apenas voltando a olhar para a pessoa como referência
  • Repetimos o procedimento para desconstruir nossos sentimentos aparentemente permanentes em relação cada pessoa, desviando o olhar e apenas voltando a olhar como referência

III. Enquanto nos concentramos em nós mesmos

1. Enquanto nos concentramos em nós mesmos sem espelho

  • Repetimos o procedimento para desconstruir a aparência enganosa de nossa autoimagem atual como nossa identidade permanente e singular
  • Repetimos o procedimento para desconstruir quaisquer emoções aparentemente fixas que possamos sentir em relação a nós mesmos como somos agora

2.Enquanto temos diante de nós uma série de fotos nossas de toda a vida

  • Repetimos o procedimento para desconstruir nossa identificação com nossa aparência física atual ou como éramos em determinada fase da vida, trabalhando com as fotos e acrescentando a elas imagens projetadas de como poderíamos ser no futuro.
  • Repetimos o procedimento para desconstruir quaisquer ideias fixas que possamos ter de nós mesmos em períodos difíceis de nossa vida, recorrendo a mais memórias e usando as fotos apenas como ponto de referência.
  • Repetimos o procedimento para desconstruir quaisquer sentimentos fixos que possamos ter em relação a nós mesmos em períodos difíceis de nossa vida, usando as fotos apenas como referência.

Exercício 13: Dissecando Experiências em Partes e Causas

A primeira fase começa pensando em alguém que conhecemos muito bem e que nos perturbou recentemente, por exemplo, o parente do exercício anterior, que gritou conosco com raiva. Imaginamos mentalmente a pessoa agindo assim. Se desejarmos usar uma foto da pessoa como ponto de referência para nos ajudar a visualizar, escolhemos uma com expressão neutra. Pensando em nosso parente que gritou, notamos quão concreta é a impressão que ele é uma pessoa perturbadora. Nosso parente parece ter uma identidade sólida como pessoa perturbadora, que é uma característica inerente ao seu próprio ser e que surgiu independentemente de qualquer coisa.

Para desconstruir essa aparência enganosa, precisamos mudar nosso foco. Tentamos ver a pessoa e o incidente como fenômenos surgidos de forma dependente. Quando somos sensíveis aos fatores que contribuíram para a existência de nosso parente e do incidente, achamos a pessoa e seu comportamento compreensíveis. Consequentemente, parecem menos ameaçadores e menos perturbadores. Isso nos permite lidar com nosso parente e nossos sentimentos com mais equilíbrio.

Primeiro, tentamos visualizar a imagem aparentemente concreta de nosso parente se dissolvendo em uma coleção de átomos. Depois de alternar entre imaginá-lo como um corpo inteiro e imaginá-lo como uma coleção de átomos, tentamos perceber os dois simultaneamente, como no exercício anterior. Afinal, nosso parente não é só uma massa de átomos. Ele também é uma pessoa.

Em seguida, dissecamos o comportamento perturbador de nosso parente para apreciar os fatores causais que levaram ao que aconteceu. Consideramos ações e experiências anteriores desde a primeira infância, pessoas relevantes com quem nosso parente interagiu, e fatores sociais, econômicos e históricos que desempenharam um papel. Por exemplo, os pais ou colegas de classe de nosso parente podem tê-lo tratado de determinada maneira e isso ocorreu durante um período de guerra. Nossa análise não precisa ser exaustiva e nosso conhecimento desses fatores não precisa ser específico. Alguns exemplos e um sentimento ou apreciação para os outros fatores são suficientes.

Depois de fazermos uma breve análise, tentamos imaginar a imagem aparentemente concreta de nosso parente irritado ficando gasta como uma meia velha e então se dissolvendo em uma colagem desses fatores causais. Nossa ideia desses fatores pode tomar a forma de uma imagem mental de alguns deles com uma impressão vaga do restante, ou pode ser meramente a sensação da existência desses fatores. Novamente, tentamos alternar e depois combinar a imagem de nosso parente gritando, simplesmente como uma representação precisa do que ocorreu, e a imagem de uma colagem de fatores causais que levaram a isso, ou apenas sentir a existência desses fatores.

A próxima perspectiva para desconstruir ainda mais nossa impressão aparentemente concreta oferece uma visão das gerações passadas. Seguindo o mesmo procedimento, agora consideramos que os pais de nosso parente o trataram da forma como trataram porque eles também foram afetados por seus próprios pais, família e conhecidos, seu período histórico, e assim por diante. O mesmo vale para todos os outros com quem nosso parente interagiu ao longo de sua vida e em cada geração. Contudo, dedicar muito esforço analisando os detalhes é uma distração. Limitamos nossa análise ao que sabemos sobre a genealogia de nosso parente e tentamos simplesmente ter uma noção do que ocorreu. O que importa é apreciar como o comportamento da pessoa também se desenvolveu por causa desses fatores.

Quando tivermos avançado mais, acrescentamos uma desconstrução adicional. Também consideramos as vidas passadas de nosso parente e de todos os envolvidos na geração atual e nas gerações anteriores. Também tentamos levar em conta os fatores cármicos que afetaram cada uma dessas pessoas.

Após apreciarmos os vários fatores que deram origem de forma interdependente ao comportamento perturbador de nosso parente, repetimos várias vezes a sequência de visualizações para começar a integrá-los. Fazemos isso focando em nosso parente enquanto alternamos a frase-chave "simplesmente o que a pessoa fez" com cada uma das frases-chave a seguir:

  • “átomos,"
  • "causas passadas,”
  • "gerações passadas,”
  • "vidas passadas."

Por último, tentamos ver a pessoa com um número cada vez maior de visões, simultaneamente, alternando "simplesmente o que a pessoa fez" com duas, depois três e, por fim, todas as quatro frases. Para a prática inicial, podemos ter só uma noção de cada um dos quatro fatores ao tentar estar simultaneamente cientes deles, como uma rede interdependente. Também podemos usar uma imagem mental de um exemplo para representar cada um.

Amenizar um incidente perturbador ou nossa memória requer trabalhar não apenas com a imagem perturbadora da outra pessoa envolvida, mas também com a aparência enganosa de nós mesmos e de nosso sentimento perturbador. Precisamos aplicar o mesmo método para desconstruir nossa identificação com nossa emoção e nosso sentimento de ser alguém que, por natureza inerente, fica perturbado quando outros gritam conosco. Quando somos sensíveis aos inúmeros fatores que deram origem à nossa perturbação, de forma interdependente, nossa emoção parece menos sólida. Já que não nos agarramos à emoção nem à nossa identificação com ela, nosso sentimento de perturbação passa rapidamente.

Primeiro, tentamos sentir a sensação de aparente solidez se dissolvendo na leveza dos átomos. Depois, olhando para como fomos criados, nosso comportamento anterior e nossos encontros com outros, tentamos focar nas várias causas que levaram a experienciarmos o incidente perturbador e à nossa reação emocional perturbada a ele. Embora analisar possíveis causas torne essa imagem mais significativa, não precisamos dedicar muito tempo aos detalhes. Podemos trabalhar nisso separadamente. Durante o exercício, tentamos recordar cenas que representam apenas alguns fatores causais e depois trabalhamos principalmente com a sensação de uma rede de causas.

Em seguida, tentamos acrescentar a contribuição dos fatores de gerações anteriores e, por último, os fatores cármicos de vidas passadas. É importante alternar cada imagem com o reconhecimento e a sensação de nós mesmos como uma pessoa que ficou perturbada quando nosso parente gritou, como uma descrição objetiva do que aconteceu. Isso nos ajuda a não perder de vista a existência convencional de nossa emoção e de nós mesmos. Ao final, tentamos combinar as imagens usando as cinco frases-chave como antes.

Durante a segunda fase do exercício, tentamos aplicar a mesma visão que disseca aos membros de um grupo, sentados em círculo. Olhamos para cada pessoa brevemente, depois desviamos o olhar e trabalhamos com nossa impressão da pessoa, voltando a olhar apenas como referência. Aqui, tentamos desconstruir a aparência enganosa de cada um como tendo uma identidade aparentemente inerente e concreta, independente de todo o resto. Para desconhecidos ou pessoas que mal conhecemos, tentamos trabalhar, como antes, com a impressão superficial que obtemos simplesmente olhando para eles. Mesmo que não tenhamos ideia de seu passado ou família, tentamos trabalhar com a sensação abstrata que eles suscitam. Afinal, todos têm um passado e uma família. Com pessoas que conhecemos, podemos preencher mais detalhes. Depois, repetimos o procedimento para desconstruir nosso sentimento enganoso de ser alguém que, por natureza, experiencia determinada reação emocional em relação a cada tipo de pessoa, incluindo indiferença.

Durante a terceira fase, voltamos nossa atenção para nós mesmos. Pulando a prática de olhar no espelho, repetimos o procedimento como descrito acima. Primeiro, desconstruimos a aparência enganosa de nossa autoimagem atual como nossa identidade aparentemente inerente e concreta, independente de todo o resto. Depois, desconstruimos o sentimento enganoso de que, por natureza, sentimos de certa maneira sobre como somos agora.

Em seguida, dispomos diante de nós a série de fotos nossas. Usando meramente como ponto de referência, repetimos o procedimento para desconstruir a aparência enganosa da autoimagem que temos de nosso passado como constituindo nossa identidade inerente naquela época. Por último, desconstruímos da mesma forma o sentimento enganoso de que, por natureza inerente, sentimos de uma certa maneira sobre como éramos no passado.

Estrutura do Exercício 13: Dissecando Experiências em Partes e Causas

I. Ao pensar em alguém de nossa vida

1. Ao focar em uma imagem mental de alguém que conhecemos muito bem e que recentemente agiu de uma maneira que nos perturbou

  • Notamos como, de forma enganosa, a pessoa parece existir concretamente como uma pessoa perturbadora
    • Para desconstruir essa aparência, visualizamos a imagem aparentemente concreta se dissolvendo em uma coleção de átomos
    • Alternamos entre imaginar seu corpo como um todo e imaginá-lo como uma coleção de átomos
    • Focamos nas duas perspectivas simultaneamente, como quando vemos persianas e a vista de uma rua movimentada atrás delas
  • Dissecamos o comportamento perturbador da pessoa nos fatores causais que levaram a ele, considerando suas ações e experiências anteriores, desde a primeira infância, pessoas relevantes com quem interagiu, e fatores sociais, econômicos e históricos que desempenharam um papel
    • Visualizamos a imagem aparentemente concreta da pessoa perturbadora ficando gasta, como uma meia velha, e então se dissolvendo em uma colagem desses fatores causais, à medida que representamos esses fatores com uma imagem mental de alguns deles e com uma impressão vaga do restante, ou apenas com uma noção de sua existência
    • Alternamos e depois combinamos a imagem da pessoa agindo de forma perturbadora, simplesmente como uma representação precisa do que ocorreu, e a imagem da colagem de fatores causais que levaram a isso, ou apenas a noção da existência desses fatores
  • Seguimos o mesmo procedimento com fatores de gerações anteriores que, ao longo do tempo, levaram ao evento
  • Quando avançamos, seguimos o mesmo procedimento com vidas passadas da pessoa e de todos que a afetaram na geração atual e nas anteriores
  • Repetimos várias vezes a sequência de imagens, focando na pessoa enquanto alternamos a frase-chave "simplesmente o que a pessoa fez" com cada uma das frases:
    • “átomos"
    • "causas passadas”
    • "gerações passadas”
    • "vidas passadas
  • Vemos a pessoa com um número cada vez maior de imagens, simultaneamente, alternando "simplesmente o que a pessoa fez" com duas, depois três e, por fim, todas as quatro frases, e usando apenas uma noção para cada um dos quatro fatores ou uma imagem mental de um exemplo para representar cada um.

2. Repetimos o procedimento para desconstruir nossa identificação com nossa emoção e nosso sentimento que resultam de ser alguém que, por natureza inerente, fica perturbado quando alguém age como essa pessoa agiu, trabalhando com:

  • nosso sentimento em relação a nós mesmos como uma pessoa que ficou perturbada, como uma descrição objetiva do que aconteceu
  • imagens mentais, impressões vagas, ou apenas uma sensação da existência dos fatores que contribuíram para isso acontecer

II. Enquanto nos concentramos pessoalmente em alguém

1. Sentados em círculo com um grupo, concentrados em uma pessoa por vez

  • Repetimos o procedimento para desconstruir a aparência enganosa da pessoa como tendo uma identidade aparentemente inerente e sólida, independente de todo o resto, olhando para a pessoa brevemente, depois desviando o olhar e trabalhando com nossa impressão dela, voltando a olhar apenas como referência
  • Repetimos o procedimento para desconstruir o sentimento enganoso de ser alguém que, por natureza inerente, experiencia determinada reação emocional em relação a esse tipo de pessoa

III. Enquanto nos concentramos em nós mesmos

1. Enquanto nos concentramos em nós mesmos sem espelho

  • Repetimos o procedimento para desconstruir a aparência enganosa de nossa autoimagem atual como nossa identidade inerente e concreta, independente de todo o resto
  • Repetimos o procedimento para desconstruir o sentimento enganoso de, por natureza, sentirmos de uma certa maneira em relação a como somos agora.

2. Enquanto temos diante de nós uma série de fotos nossas de toda a vida

  • Repetimos o procedimento para desconstruir a aparência enganosa das autoimagens que temos de nosso passado, como se fossem nossa identidade inerente naquela época, usando as fotos meramente como ponto de referência
  • Repetimos o procedimento para desconstruir o sentimento enganoso de sentirmos de certa forma, por natureza inerente, sobre como éramos no passado.

Exercício 14: Vendo Experiências como Ondas no Oceano

A primeira fase deste exercício começa pensando em alguém próximo de nós que recentemente nos perturbou com suas palavras. Continuamos com o exemplo do parente que gritou conosco com raiva. Suponhamos que nossa reação foi sentir: "Como você ousa me dizer isso?” Mesmo que não tenhamos reagido assim, imaginamos sentir isso agora. Notamos a impressão que temos ao nos imaginarmos, como se fosse uma situação sólida e real, de um lado, como vítima ou juiz, e nosso parente do outro, como ofensor.

Fazendo uma análise da situação, tentamos ver que, durante o primeiro momento de nossa experiência, apenas ouvimos o som das palavras de nosso parente. Em seguida, projetamos a aparência dualista de vítima e opressor sobre o conteúdo da experiência. Acreditando na veracidade dessa aparência, podemos reagir de forma exagerada com emoções perturbadoras. Por outro lado, podemos reprimir nossos sentimentos e não dizer nada.

Para desconstruir essa aparência dualista, recordamos a pura experiência de um som se manifestando e de nós ao ouvi-lo e tentamos imaginá-la como uma onda no oceano de nossa atividade de luz clara. Sem imaginar mentalmente a onda como um objeto que vemos abaixo ou diante de nós no meio do oceano, tentamos experienciar apenas uma sensação mental de uma onda vindo de nosso coração. À medida que a experiência se desenvolve, a onda cresce, preenchendo-se primeiro com um sentimento dualista e depois com uma emoção perturbadora.

Ampliando nossa perspectiva, tentamos experienciar um sentimento não dualista do oceano inteiro, do fundo à superfície. Isso significa não nos identificar concretamente com o oceano nem nos imaginar como uma entidade concreta separada dele, dentro ou fora da água. Tentamos nos sentir simplesmente como um oceano vasto e profundo, com ondas na superfície. Lembramos que não importa quão enorme e aterrorizante uma onda possa parecer, ela é apenas água. Nunca pode perturbar as profundezas do mar.

Sem nos sentir como uma entidade concreta sendo açoitada pela onda, agora tentamos sentir a onda se aquietando naturalmente. À medida que diminui, a emoção perturbadora e depois o sentimento dualista se acalmam. Retornamos à experiência pura de apenas ouvir as palavras. No final, esse movimento da mente também se tranquiliza. Sentimos que somos como o mar plácido, porém vibrante.

Ao fazer isso, não negamos a ocorrência do evento, nossa experiência original dele ou nossa experiência agora de recordá-lo. Não nos tornamos como um submarino tentando escapar da tempestade submergindo em nossa mente de luz clara. Contudo, tentamos parar de rasgar qualquer dessas experiências em duas forças opostas e exagerar a importância delas conferindo-lhes identidades aparentemente sólidas e duradouras. Quando não estamos mais perturbados, lidamos melhor com a situação, reagindo de forma calma e sensível no momento presente.

Suponhamos que, em nossa turbulência emocional, reagimos falando de forma cruel. Lamentando o que dissemos, podemos ter-nos sentido culpados depois. Ao nos sentir culpados, nossa mente produz uma aparência dualista de um "eu" aparentemente sólido e idiota e as palavras aparentemente sólidas e estúpidas que dissemos. Isso ocorre ao rasgar ao meio nossa atividade de luz clara de produzir palavras e perceber seu som. Tentamos desconstruir essa experiência dualista de culpa usando os mesmos meios de antes.

Depois, aplicamos o método a ouvir palavras agradáveis de nosso parente. Experiências dualistas não se limitam a eventos desagradáveis. Quando ouvimos alguém dizer "Eu te amo", por exemplo, podemos rasgar a experiência ao meio de forma semelhante. De um lado está um "eu" aparentemente sólido, que talvez sintamos não merecer ser amado. Do outro, estão as palavras aparentemente sólidas, como algo perturbador que a pessoa não poderia estar dizendo de verdade. Ou então, podemos nos sentir, como se fosse algo sólido e real, o amado, e o outro, aquele que nos ama.

Às vezes, um sentimento ou emoção forte pode surgir inesperadamente, relacionado ou não à situação ou às pessoas ao nosso redor. Isso ocorre frequentemente, por exemplo, depois de sofrer uma perda ou ao passar pela puberdade, menstruação, gravidez ou menopausa. Aplicar a imagem de uma onda no oceano pode ajudar a superar qualquer sentimento dualista de alienação ou turbulência que possa acompanhar tais experiências. A onda de emoção pode ser grande ou pequena e pode durar muito ou pouco tempo, dependendo das energias envolvidas. No entanto, a onda não é mais do que uma ondulação no oceano da mente de luz clara.

Como passo final na primeira fase do exercício, recordamos experienciado uma emoção perturbadora que surgiu de repente. Se nossa recordação nos faz sentir algo agora, aplicamos o método da onda como acima. É importante lembrar que não estamos tentando eliminar todas as emoções. Sentir luto pela perda de um ente querido, por exemplo, é um componente saudável do processo natural de cura. No entanto, a turbulência nunca é útil. Se não conseguimos sentir nada agora, podemos aplicar o método a qualquer ansiedade ou vazio que possamos experienciar de forma dualista ao não sentir nada.

Estrutura do Exercício 14: Vendo Experiências como Ondas no Oceano

I. Enquanto nos concentramos em alguém de nossa vida

1. Enquanto nos concentramos em alguém próximo que recentemente nos perturbou com suas palavras

  • Recordamos o sentimento: "Como você ousa me dizer isso?”
  • Notamos a impressão dualista de nós mesmos de um lado, como vítima ou juiz, e nosso parente do outro, como ofensor.
  • Para desconstruir essa aparência dualista, recordamos a experiência pura de quando as palavras da pessoa se manifestaram e foram ouvidas
  • Imaginamos a experiência pura como uma onda no oceano de nossa atividade de luz clara, experienciando meramente uma sensação mental de uma onda vindo de nosso coração
  • À medida que a experiência se desenvolve, a onda cresce, preenchendo-se primeiro com um sentimento dualista e depois com uma emoção perturbadora
  • Ampliando nossa perspectiva, experienciamos um sentimento não dualista do oceano inteiro, do fundo à superfície, sem nos identificar concretamente com o oceano e sem nos imaginar como uma entidade concreta separada dele, dentro ou fora da água
  • Sentindo que somos simplesmente como um oceano vasto e profundo, com ondas na superfície, lembramos que não importa quão enorme e aterrorizante uma onda possa parecer, ela é apenas água e nunca pode perturbar as profundezas do mar
  • Sem nos sentir como uma entidade concreta sendo açoitada pela onda, sentimos a onda se assentando naturalmente
  • À medida que a onda diminui, a emoção perturbadora e depois o sentimento dualista se aquietam
  • Retornamos à experiência pura de apenas ouvir as palavras
  • À medida que esse movimento da mente também se acalma, nós nos sentimos como um mar plácido, porém vibrante
  • Não mais perturbados, imaginamos lidar com a situação reagindo de forma calma e sensível

2. Enquanto nos concentramos em nossa reação à pessoa que falou conosco de forma perturbadora

  • Recordamos nossa resposta cruel e a culpa que sentimos depois pelo que dissemos.
  • Notamos que ao nos sentir culpados, nossa mente produz uma aparência dualista de um "eu" aparentemente concreto e idiota e as palavras aparentemente concretas e estúpidas que dissemos
  • Repetimos o procedimento para desconstruir essa aparência dualista, recordando a experiência pura de nossa mente de luz clara dando origem a nossas palavras e percebendo seu som

3. Repetimos o procedimento para desconstruir sentimentos dualistas ao ouvir alguém nos dizer palavras amorosas, como o sentimento enganoso de um "eu" aparentemente sólido que não merece amor e de palavras aparentemente sólidas e perturbadoras que a pessoa não poderia estar dizendo de verdade

4. Enquanto recordamos uma emoção perturbadora que surgiu de repente sem estar necessariamente relacionada à situação ou às pessoas ao nosso redor

  • Notamos a impressão dualista de um "eu" aparentemente sólido e inocente e de uma emoção aparentemente sólida e intrusiva que não desejamos experienciar no momento e que é subjacente ao nosso sentimento de alienação ou turbulência
  • Repetimos o procedimento de desconstrução, experienciando a emoção como uma ondulação surgindo no oceano de nossa mente de luz clara
  • Se não conseguimos sentir nada agora, aplicamos o procedimento de desconstrução a qualquer ansiedade ou vazio que possamos experienciar de forma dualista ao não sentir nada

II. Enquanto nos concentramos pessoalmente em alguém

1. Repetimos o procedimento, sentados em círculo com um grupo e concentrados em uma pessoa por vez, para desconstruir o constrangimento do dualismo de um "eu" aparentemente sólido que está aqui e talvez não seja apreciado por um "você" aparentemente sólido que está ali

2. Repetimos o procedimento, de frente para um parceiro, para desconstruir o constrangimento do dualismo de um "eu" aparentemente sólido e nervoso confrontando um "você" aparentemente sólido e intimidante

III. Enquanto nos concentramos em nós mesmos

1. Repetimos o procedimento, olhando no espelho, para desconstruir o sentimento dualista e perturbador de um "eu" aparentemente sólido que não se sente confortável com um "eu" aparentemente sólido

2. Repetimos o procedimento sem espelho

3. Repetimos o procedimento, olhando para uma série de fotografias nossas ao longo da vida, para desconstruir o sentimento dualista e perturbador de um "eu" aparentemente sólido que está aqui agora julgando um "eu" aparentemente sólido de então.

Dissipando o Constrangimento Nervoso com os Outros

Praticamos a próxima fase do exercício primeiro sentados em círculo com um grupo e depois de frente para um parceiro. Trabalhamos com nossa experiência de ver alguém de forma dualista, com um "eu" aparentemente sólido aqui e um "você" aparentemente sólido ali. Emoções perturbadoras como hostilidade ou desejo ansioso podem ou não acompanhar nossa experiência. Um sinal seguro de um sentimento dualista é o constrangimento nervoso. Podemos estar preocupados, particularmente com desconhecidos, de que a pessoa possa não gostar de nós. Hipersensíveis, podemos até estar preocupados com a aparência de nosso cabelo. Além disso, podemos estar inseguros em relação a nós mesmos e a como devemos agir ou ao que devemos dizer. Bloqueios emocionais e medo podem até nos fazer experienciar a outra pessoa como um objeto inanimado sem sentimentos. Logo, reagimos de forma insensível. Em um encontro inesperado, por exemplo, podemos ficar tomados por pensamentos de como escapar.

Para desconstruir sentimentos dualistas de constrangimento nervoso ao olhar ao redor do círculo ou para um parceiro, aplicamos a analogia da onda como antes. Nossa experiência perturbadora se deve ao sentimento de um confronto entre o que parecem ser seres concretamente nervosos e concretamente intimidantes se encarando de lados opostos de uma cerca. Para nos acalmar, tentamos considerar nossa experiência de desconforto como uma onda de atividade mental. À medida que se assenta, permanece a experiência de apenas ver a imagem da pessoa. Tentamos experienciar esse processo de assentamento da perspectiva do oceano inteiro, das profundezas à superfície.

Enquanto experienciamos um encontro sem julgamento e sem constrangimento, ainda nos relacionamos com a outra pessoa. Não dual não significa que você é eu ou que eu sou você. Nos exercícios de desconstrução anteriores, tentamos manter em mente tanto as aparências convencionais quanto as mais profundas de alguém imaginando simultaneamente persianas e a vista pela janela. Contudo, estávamos trabalhando primariamente com sentimentos em vez de imagens. Aqui, também tentamos manter duas coisas em mente. Enquanto vemos a aparência convencional de que esta é uma pessoa diante de nós, simultaneamente tentamos sentir que não há barreiras sólidas entre nós. Nossa desconstrução remove o constrangimento nervoso. Não elimina sentimentos positivos.

Ficando Mais Relaxados Com Nós Mesmos

Durante a fase final do exercício, concentrados em nós mesmos, primeiro olhamos no espelho e depois o colocamos de lado. Agora, tentamos desconstruir quaisquer sentimentos de desconforto que possamos ter. Tais sentimentos surgem da impressão dualista do que parecem ser dois "eus": um "eu" que não se sente confortável com o outro "eu". Constrangimento, julgamentos e nervosismo geral geralmente acompanham o sentimento perturbador. Podemos descartar intelectualmente a ideia de dois "eus" como absurda, mas para relaxarmos mais conosco, precisamos desconstruir o que sentimos.

Para desconstruir nosso nervosismo, tentamos ver nosso sentimento enganoso como uma onda no mar e deixá-lo se assentar. O que permanece por baixo é a experiência oceânica e calma de nos concentrar em nós mesmos com uma compreensão afetuosa. Em outras palavras, descobrimos que o constrangimento nervoso é apenas uma distorção confusa da preocupação consigo e da consciência de si. Parar de nos preocupar com nós mesmos não elimina sentimentos afetuosos em relação a nós e ao nosso bem-estar. Permite que funcionem sem obstrução.

Por último, focamos nas fotos nossas do passado e observamos quaisquer sentimentos perturbadores de julgamento que surgem por isso. O desconforto em relação a como éramos também surge de uma aparência dualista. Tentamos desconstruir esse sentimento focando mais uma vez no oceano, do fundo à superfície. Percebendo que nossa experiência enganosa é feita apenas de água, não nos deixamos prender por ela. Tentamos deixá-la se assentar naturalmente como uma onda. Isso nos permite fazer as pazes com aqueles tempos.

Exercício 15: Combinando Compaixão com Desconstrução

Começamos a primeira fase deste exercício pensando em alguém que nos perturbou recentemente, por exemplo, o parente usado nos últimos três exercícios. Primeiro, imaginamos nosso parente agindo de forma perturbadora. Depois, tentamos imaginar sua aparência física em mudança, da infância à velhice, como no Exercício Doze. Incluimos vidas passadas e futuras, ou pelo menos uma noção de sua existência. Acrescentando a isso a tentativa de imaginar uma colagem de nosso parente agindo de várias outras formas, retornamos à imagem dele agindo de forma perturbadora.

Pensamos em como é triste que nosso parente não compreenda a impermanência. Nosso parente acredita na aparência enganosa que sua mente cria de toda situação como permanente. Logo, sofre muito ao imaginar que situações difíceis durarão para sempre. Mantendo a impermanência em mente e focando em nossa imagem mental ou agora em uma fotografia de nosso parente, tentamos gerar compaixão. Desejamos sinceramente que ele seja livre do sofrimento e dessa causa de sofrimento. Quanto mais livres estivermos de impressões fixas de nosso parente, mais nossa compaixão se aprofundará.

Colocando a foto de lado, se estivermos usando uma, focamos mais uma vez apenas na imagem mental de nosso parente agindo de forma perturbadora. Como no Exercício Treze, tentamos ver a pessoa sequencialmente, em termos de átomos, causas para seu comportamento desta vida, de gerações passadas e de vidas passadas, e depois sua aparência agora, agindo de forma perturbadora. Então complementamos essas visões com um sentimento pela explosão de repercussões que seu comportamento terá no futuro. Tentamos ver essas em três níveis progressivos: as consequências no restante da vida presente de nosso parente, as repercussões para futuras gerações e o impacto em suas vidas futuras e nas vidas futuras de todos os envolvidos. Depois de focar nesses níveis um de cada vez, representando cada um com uma colagem de imagens ou com uma noção de sua existência, retornamos à sua aparência presente.

Nosso parente não tem consciência da natureza de surgimento dependente de seu comportamento e não tem ideia das consequências futuras que terá. Percebendo isso, tentamos gerar compaixão. Novamente, direcionamos nosso sentimento ao nosso parente através de nossa imagem mental ou de uma fotografia.

Por último, colocando a foto de lado, recordamos a experiência pura de quando o som das palavras perturbadoras de nosso parente se manifestou e nós o ouvimos. Tentamos imaginar essa experiência como uma onda oceânica de nossa atividade de luz clara. À medida que a onda da experiência cresce, preenche-se primeiro com o sentimento dualista de um "eu" aparentemente sólido como a vítima e um "você" aparentemente sólido como o opressor, e depois com uma perturbação emocional. Imaginando agora a onda se assentando, tentamos visualizar primeiro a emoção perturbadora, depois o sentimento de dualismo e finalmente o som, no momento em que se manifesta e o escutamos, se assentando de volta no oceano de nossa mente.

Retornando à imagem mental de nosso parente agindo de forma perturbadora, refletimos sobre como ele não percebe isso. Nosso parente ainda está preso em uma síndrome recorrente de projetar e acreditar em aparências dualistas. Consequentemente, sofre enormemente e continuará a experienciar angústia. Tentando gerar compaixão para que nosso parente seja livre desse sofrimento e dessa causa de sofrimento, direcionamos esse sentimento a ele enquanto focamos em nossa imagem mental ou em uma fotografia.

Durante a segunda fase do exercício, repetimos o procedimento sentados em círculo com um grupo, concentrados em uma pessoa por vez para cada uma das três sequências de desconstrução. Se nunca presenciamos a pessoa agindo de forma perturbadora, podemos trabalhar imaginando uma cena dela com esse tipo de comportamento. Olhamos para cada pessoa brevemente para obter um ponto de referência, desviamos o olhar enquanto imaginamos a colagem das mudanças de sua vida e assim por diante, e depois voltamos a olhar enquanto direcionamos compaixão. Embora os outros membros de nosso grupo também estejam fazendo o mesmo exercício, fingimos que não estão.

Focamos a terceira fase em nós mesmos, primeiro com espelho e depois sem, seguindo o mesmo procedimento usado quando sentados em círculo, mas recordando um incidente em que agimos de forma destrutiva. Por último, repetimos a prática enquanto trabalhamos com a série de fotos nossas do passado. Ao gerar compaixão, desejamos que pudéssemos ter tido essa compreensão naquela época.

Estrutura do Exercício 15: Combinando Compaixão com Desconstrução

I. Enquanto nos concentramos em alguém próximo que recentemente nos perturbou com suas palavras

  • Imaginamos a pessoa agindo de forma perturbadora
    • Imaginamos sua aparência física que muda, da infância à velhice, sem deixar de incluir vidas passadas e futuras, ao menos na forma de uma noção de sua existência
    • Imaginamos uma colagem da pessoa agindo de várias outras formas
    • Retornamos à imagem dela agindo de forma perturbadora
    • Pensamos em como é triste que a pessoa não compreenda a impermanência e consequentemente sofra enormemente ao imaginar que situações difíceis durarão para sempre
    • Focando em nossa imagem mental ou em uma fotografia da pessoa, geramos compaixão desejando sinceramente que ela seja livre do sofrimento e dessa causa de sofrimento
  • Colocamos a foto de lado, se estivermos usando uma, e retornamos à imagem mental da pessoa agindo de forma perturbadora
    • Imaginamos a pessoa como uma coleção de átomos
    • Imaginamos uma colagem de causas para seu comportamento desta vida, ou geramos uma noção de sua existência
    • Imaginamos uma colagem de causas da influência de gerações passadas, ou geramos uma noção de sua existência
    • Imaginamos uma colagem de causas da influência de vidas passadas, ou geramos uma noção de sua existência
    • Retornamos à imagem dela agindo de forma perturbadora
    • Imaginamos uma colagem de consequências do comportamento da pessoa no restante de sua vida presente, ou geramos uma noção de sua existência
    • Imaginamos uma colagem de repercussões para futuras gerações, ou geramos uma noção de sua existência
    • Imaginamos uma colagem de consequências em suas vidas futuras e nas vidas futuras de todos os envolvidos, ou geramos uma noção de sua existência
    • Retornamos à imagem dela agindo de forma perturbadora
    • Pensamos em como é triste que a pessoa não tenha consciência da natureza de surgimento dependente de seu comportamento e não tenha ideia das consequências futuras que terá
    • Focamos em nossa imagem mental ou em uma fotografia da pessoa e geramos compaixão desejando sinceramente que ela seja livre do sofrimento e dessa causa de sofrimento
  • Colocamos a foto de lado, se estivermos usando uma, e retornamos à imagem mental da pessoa agindo de forma perturbadora
    • Recordamos a experiência pura do som das palavras perturbadoras da pessoa se manifestando e como nós o ouvimos
    • Imaginamos essa experiência como uma onda oceânica de nossa atividade de luz clara
    • À medida que a onda da experiência cresce, preenche-se primeiro com o sentimento dualista de um "eu" aparentemente sólido como a vítima e um "você" aparentemente sólido como o opressor, e depois com um sentimento de perturbação emocional
    • Imaginamos a onda se assentando, primeiro com a emoção perturbador, depois com o sentimento de dualismo e finalmente com o som se assentando de volta no oceano da mente
    • Retornamos à imagem da pessoa agindo e falando de forma perturbadora
    • Pensamos em como é triste que a pessoa não perceba que aparências dualistas são apenas projeções de sua mente de luz clara sobre ondas de experiência, acreditando nessas aparências, ela sofre enormemente
    • Focamos em nossa imagem mental ou em uma fotografia da pessoa e geramos compaixão desejando sinceramente que ela seja livre do sofrimento e dessa causa de sofrimento

II. Enquanto nos concentramos pessoalmente em alguém

1. Repetimos o procedimento sentados em círculo com um grupo, concentrados em uma pessoa por vez para cada uma das três desconstruções

  • Olhamos para cada pessoa brevemente para obter um ponto de referência, desviamos o olhar enquanto imaginamos a colagem das mudanças de sua vida e assim por diante, e depois olhamos de volta enquanto lhe dirigimos compaixão
  • Se nunca presenciamos a pessoa agindo de forma perturbadora, trabalhamos com uma cena imaginada dela se comportando assim

III. Enquanto nos concentramos em nós mesmos

1. Usando um espelho, repetimos o procedimento seguido ao focar nos outros em círculo, mas recordando um incidente em que agimos de forma destrutiva

2. Repetimos o procedimento sem espelho

3. Repetimos o procedimento enquanto temos diante de nós uma série de fotos nossas ao longo da vida

  • Ao direcionar compaixão, desejamos que pudéssemos ter tido essa compreensão naquela época.
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