5. Evitar Comportamentos Destrutivos

A Necessidade da Ética

Responder aos outros ou a nós mesmos com sensibilidade equilibrada implica evitar comportamentos destrutivos e prejudiciais, e engajar-se em ações construtivas e úteis. Conter-se diante do comportamento destrutivo estabelece a base. Por exemplo, se não estabelecemos um padrão consistente com que evitamos fazer comentários cruéis ou sarcásticos, os outros não nos confiarão seus problemas pessoais. Isso acontecerá mesmo que percebamos seus estados emocionais e demonstremos preocupação. Da mesma forma, usar um adoçante artificial no café traz pouco benefício se continuarmos a comer bolos pesados. Portanto, precisamos aplicar nossa capacidade natural de autocontrole para manter princípios éticos em nossas interações.

Definição do Comportamento Destrutivo

Cada sistema ético, seja religioso ou civil, define o comportamento destrutivo de maneira diferente. Alguns sistemas possuem leis estabelecidas por autoridade divina ou legislativa. Nesses casos, comportamento destrutivo é desobedecer à lei. Outros definem ações destrutivas como aquelas que prejudicam os outros ou a si mesmo. No entanto, saber o que é prejudicial pode ser difícil. A mesma ação pode ser danosa para alguns e útil para outros. Mesmo quando direcionada à mesma pessoa, pode ser prejudicial em uma situação e não em outra. Por exemplo, gritar palavras duras para alguém pode ferir seus sentimentos ou despertar essa pessoa da preguiça.

A ética budista enfatiza a importância da motivação e do estado mental para determinar se uma ação é destrutiva. Além de causar dano e sofrimento, uma ação destrutiva precisa ser motivada por ganância, raiva ou ingenuidade quanto às suas consequências. Há duas atitudes prejudiciais adicionais e subjacentes a isso: a falta de respeito por si ou de dignidade pessoal e a falta de consideração sobre como nossas ações refletem em nossa família e origem. Por esses critérios, gritar com uma garçonete enquanto jantamos com convidados estrangeiros em um restaurante elegante, sem nos importarmos que perdemos o decoro ou que nossos convidados pensarão mal sobre como as pessoas se comportam em nosso país, é uma ação destrutiva, ferindo ou não os sentimentos dela. No mínimo, é um ato autodestrutivo que nos traz sofrimento. Podemos ficar perturbados por horas.

Dez Ações Destrutivas

Muitas ações físicas, verbais e mentais são destrutivas. O budismo destaca dez como as mais prejudiciais, pois quase sempre surgem de emoções perturbadoras, falta de vergonha e ausência de pudor. São elas:

  1. tirar a vida 
  2. tomar o que não foi dado
  3. envolver-se em comportamento sexual inadequado
  4. mentir
  5. falar de uma forma que divide
  6. usar linguagem ríspida
  7. falar de maneira fútil
  8. cultivar pensamentos de cobiça
  9. cultivar pensamentos maliciosos
  10. manter visões distorcidas e hostis

Qualquer que seja a crença religiosa da pessoa, abster-se dessas ações é relevante para quer quer que deseje desenvolver uma sensibilidade equilibrada.

Essas dez ações sugerem dez categorias de comportamentos inadequados que devemos evitar ao buscar equilíbrio em relação aos outros e a nós mesmos. Não é necessário matar para causar dano físico. Bater em alguém ou tratá-lo de forma rude também é destrutivo, assim como ignorar alguém que precisa de ajuda em uma tarefa física. Tomar o que não foi dado inclui não apenas roubar, mas também manter algo emprestado por mais tempo do que o necessário ou não devolvê-lo. O comportamento sexual inadequado inclui não apenas estupro ou adultério, mas também assédio, ignorar as necessidades do parceiro durante a relação, demonstrar afeto em excesso ou insuficiente. Ao trabalhar nossa sensibilidade, precisamos considerar com a maior amplitude possível tanto nosso comportamento quanto as suas consequências.

Motivação para O Treinamento Ético

No contexto budista, nós nos motivamos a exercer autocontrole ético refletindo sobre as consequências cármicas das dez ações destrutivas, principalmente em vidas futuras. Por exemplo, tenderemos a repetir compulsivamente esses padrões de comportamento. Além disso, podemos nos envolver repetidamente em relações nas quais os outros nos tratam com a mesma insensibilidade ou crueldade que demonstramos. O desejo de evitar a infelicidade de relações frustrantes que não nos satisfazem, marcadas pela falta de gentileza e consideração, nos motiva a evitar suas causas em nosso comportamento agora.

A motivação necessária para agirmos eticamente não precisa vir de uma crença em vidas futuras caso não acreditemos nelas. Considerar apenas esta vida pode produzir o mesmo efeito. Podemos lembrar situações em que outros agiram de forma destrutiva conosco e como isso nos feriu. Em seguida, podemos lembrar momentos em que agimos da mesma forma e imaginar como os outros se sentiram. Ao notar que nossos padrões destrutivos se repetem e achar horrível a perspectiva de futuros relacionamentos doentios, nos determinamos a nos libertar desses ciclos dolorosos. Para isso, precisamos estar dispostos a abandonar comportamentos negativos. Essa determinação se fortalece quando nossa principal intenção é parar de ferir os outros.

Exercício 5: O Compromisso de Evitar Comportamentos Destrutivos

Durante cada fase deste exercício, consideramos as dez ações destrutivas uma a uma. A primeira fase tem dois passos. Começamos criando um espaço mental tranquilo e acolhedor em relação a nós mesmos. Podemos usar duas frases-chave:

  • “Não inventarei nem contarei histórias sobre mim mesmo.”
  • “Eu me aceito como sou.”

Em seguida, tentamos recordar incidentes específicos em que outros agiram conosco de maneiras que nos angustiaram. Por exemplo, quando estávamos doentes e alguém que estava ao nosso lado andou rápido demais. Tentamos lembrar a aflição que sentimos ao não conseguir acompanhar. Por outro lado, podemos ter suportado estoicamente a falta de consideração da pessoa e reprimido nossos sentimentos.

Recordando um incidente em que fomos igualmente insensíveis, talvez ao caminhar com um parente idoso, olhamos para uma fotografia ou simplesmente pensamos na pessoa. Em seguida, consideramos como ela deve ter se sentido. Reconhecendo o erro de nosso comportamento insensível, nos arrependemos de nossas ações. O arrependimento é diferente da culpa. O arrependimento é simplesmente o desejo de que não tivéssemos feito algo. Nos arrependemos, por exemplo, de ter comido algo que nos fez mal. Por outro lado, a culpa surge de uma forte identificação do que fizemos como algo "ruim" e, portanto, de nós mesmos como uma pessoa "ruim". Com a culpa, nos agarramos a esses julgamentos fixos e não os soltamos. É como guardar o lixo dentro de casa e nunca jogá-lo fora. Para superar sentimentos de culpa, precisamos perceber que nossas ações passadas estão no passado. Lamentamos que tenham acontecido, mas não podemos fazer nada para mudar o fato de que ocorreram. Precisamos seguir em frente com nossa vida e não há razão válida para repetir esses erros.

O próximo passo é a determinação de eliminar esse hábito destrutivo, tanto pelo bem de nosso parente quanto de outras pessoas que possamos encontrar. Também devemos eliminá-lo para nosso próprio desenvolvimento. Pensando em nosso parente idoso, prometemos tentar ao máximo não repetir nosso comportamento indelicado nem com essa pessoa nem com mais ninguém. Fazemos o mesmo ainda que a pessoa em nosso exemplo já tenha falecido. Para fortalecer nossa determinação, reafirmamos o direcionamento que estamos tentando tomar em nossas vidas. Estamos tentando considerar e tratar a todos com sensibilidade equilibrada. Para dissipar quaisquer pensamentos ou emoções residuais sobre o incidente antes de considerar outro exemplo de nosso comportamento destrutivo, reafirmamos: 'Não inventarei nem contarei histórias sobre mim mesmo', 'Eu me aceito como sou’.

Repetimos o procedimento com o restante das dez ações destrutivas. Para o roubo, podemos recordar, por exemplo, alguém usando nosso telefone para uma ligação de longa distância cara sem nos pedir permissão. Para o comportamento sexual inadequado, podemos lembrar de alguém nos importunando sexualmente de uma forma indesejada. Para a mentira, podemos pensar em alguém que nos enganou sobre seus sentimentos ou intenções em nosso relacionamento.

No que se refere a falar de uma forma que divide, podemos lembrar de uma pessoa que nos disse coisas terríveis sobre nosso namorado ou namorada para nos fazer terminar o relacionamento. Para o uso de linguagem ríspida, podemos recordar alguém que gritou conosco de uma forma cruel ou que disse algo insensível que nos magoou profundamente. Para as palavras fúteis, podemos recordar alguém que traiu nossa confiança e revelou nossos segredos íntimos a outras pessoas. Também podemos pensar em alguém que frequentemente interrompia nosso trabalho com conversas sem sentido ou que nunca nos deixava terminar o que estávamos tentando dizer.

Para os pensamentos de cobiça, podemos lembrar de alguém que ficou com inveja quando falamos sobre nosso sucesso financeiro ou sobre o quanto nossos filhos estavam se saindo bem. Quando a pessoa ficou perdida em pensamentos sobre como alcançar o que havíamos conquistado, parou de nos ouvir. Para os pensamentos maliciosos, podemos recordar alguém que ficou com raiva de algo que dissemos e então planejou vingança. Por fim, para o pensamento distorcido e antagônico, podemos lembrar de alguém com quem conversamos sobre algo positivo ou eticamente neutro. Poderia ter sido algo que estávamos fazendo para ajudar os outros ou para nos aprimorarmos, como o estudo da medicina ou do basquete. A pessoa reagiu dizendo que éramos estúpidos por nos interessarmos por tais coisas.

No início, podemos escolher apenas um exemplo leve para cada categoria de comportamento destrutivo, especialmente quando somos propensos à culpa e à baixa autoestima. Gradualmente, podemos escolher mais de uma pessoa para cada ação destrutiva. Também podemos recordar mais de uma forma de cada ato. Quanto mais amplo for o escopo do comportamento destrutivo que consideramos, mais eficaz o exercício se torna para superar a insensibilidade ao impacto emocional de nossas ações.

O segundo passo da primeira fase do exercício é se concentrar em pessoas específicas de nossa vida. Começamos criando um espaço mental tranquilo e acolhedor em relação a nós mesmos, como antes. Em seguida, olhamos para uma fotografia ou simplesmente pensamos em alguém com quem temos ou tivemos um relacionamento próximo e caloroso e criamos um espaço mental tranquilo e acolhedor em relação à pessoa. Podemos usar as frases-chave: "Não inventarei nem contarei histórias sobre você." "Você é um ser humano e tem sentimentos.”

Examinando um amplo espectro de formas que cada uma das dez ações destrutivas pode assumir, verificamos uma a uma se já agimos dessa forma com a pessoa. Se não agimos assim com ela, nos alegramos com esse fato. Se agimos de forma destrutiva, pensamos na dor que causamos, tanto à pessoa quanto a nós mesmos, ao contribuir para um relacionamento doentio. Reconhecemos nosso erro, nos arrependemos de nosso comportamento e tomamos a resolução de nos livrar do hábito destrutivo. Não desejando jamais magoar a pessoa, damos nossa palavra de que faremos o possível para nunca mais agir dessa forma e reafirmamos o direcionamento positivo que estamos tentando tomar em nossa vida. Desejamos desfrutar de um relacionamento saudável com a pessoa, baseado em uma sensibilidade equilibrada. Em seguida, repetimos o procedimento com a próxima ação destrutiva. Se somos propensos à culpa e à baixa autoestima, podemos soltar quaisquer pensamentos ou emoções residuais sobre nosso comportamento, seja após cada uma das ações destrutivas ou após algumas delas, reafirmando o espaço mental tranquilo e acolhedor em relação a nós mesmos, como antes.

Dar uma garantia em voz alta parece mais comprometedor do que fazê-lo em silêncio. Portanto, para fortalecer nossa intenção, concluímos repetindo após nosso facilitador de grupo, ou dizendo em voz alta sozinhos, frases-chave sobre exemplos comuns de cada uma das dez ações destrutivas:

  • "Não serei fisicamente agressivo com você." 
  • "Não usarei nada seu sem permissão." 
  • "Não importunarei sexualmente nem a você nem a seu parceiro." 
  • "Não mentirei para você sobre meus sentimentos ou intenções." 
  • "Não tentarei separar você de seus amigos falando mal deles." 
  • "Não agredirei você verbalmente." 
  • "Não trairei sua confiança revelando seus assuntos pessoais a outros." 
  • "Não terei inveja do que você conquistou." 
  • "Não pensarei de forma maliciosa em como lhe prejudicar se você disser ou fizer algo de que eu não goste." 
  • "Se você estiver se esforçando para se aprimorar ou ajudar os outros, não acharei que você é estúpido, ainda que a sua escolha não seja do meu interesse."

Para facilitar a prática, podemos ler essas palavras de um texto à nossa frente ou de um cartaz exibido em nossa sala de prática.

Em seguida, repetimos todo o procedimento enquanto nos concentramos em uma foto ou pensamos em um simples conhecido e depois em alguém com quem temos ou tivemos um relacionamento difícil. Por fim, nos concentramos em fotos de revistas de pessoas anônimas. Nessa rodada, porém, apenas repetimos em voz alta as frases-chave como antes e, após cada linha, olhamos para as pessoas uma a uma e prometemos não agir dessa forma com elas.

A segunda fase do exercício começa sentando em círculo, se estivermos fazendo um workshop, e criando um espaço mental tranquilo e acolhedor em relação a nós mesmos e aos membros do círculo. Em seguida, seguimos o procedimento ao nos concentrar nas fotos de revistas.

Durante a segunda parte desta fase, sentamos de frente para um parceiro e começamos novamente criando um espaço mental tranquilo e acolhedor em relação a nós mesmos e depois em relação ao nosso parceiro. Primeiro um e depois o outro repete todas as dez frases em voz alta em um ritmo confortável, fazendo uma pausa por alguns momentos após cada uma. O falante se concentra no desejo sincero de nunca prejudicar a outra pessoa e pensa que ela confia nele como também aceita e acredita no que ele está garantindo. Avançando pelos dez pontos, o falante se sente cada vez mais responsável por seu comportamento no relacionamento. O ouvinte se concentra em se sentir seguro e protegido com o falante. Como muitas pessoas têm dificuldade em sentir confiança em um relacionamento por causa do profundo medo de se machucar, deixamos a experiência se assentar olhando para baixo ou fechando os olhos e então nos concentramos na respiração antes de trocar os papéis de falante e ouvinte. Como passo final, para cada uma das dez frases, os parceiros se alternam: primeiro um dá a garantia e depois o outro repete as mesmas palavras, com ambos se concentrando na geração e aceitação mútua de responsabilidade, segurança e confiança.

Começamos a terceira fase olhando para um espelho, criando um espaço tranquilo e acolhedor, e verificando se agimos em relação a nós mesmos de alguma das dez formas destrutivas. Se não agimos dessa forma, nos alegramos com esse fato. Se agimos de forma autodestrutiva, reconhecemos os problemas e a dor que isso nos trouxe e nos arrependemos dos erros tolos que cometemos. Em seguida, prometemos a nós mesmos que nos esforçaremos o máximo possível para parar de repetir nosso comportamento autodestrutivo e reafirmamos o direcionamento positivo que estamos tentando tomar em nossas vidas. Desejamos nos relacionar conosco de uma forma saudável que seja baseada em uma sensibilidade equilibrada.

Repetindo após o facilitador, ou lendo em voz alta sozinhos, nos comprometemos a, por exemplo:

  • "Vou parar de me maltratar fisicamente trabalhando demais, me alimentando mal ou não dormindo o suficiente." 
  • "Vou parar de desperdiçar meu dinheiro em coisas triviais ou de ser mesquinho e avarento ao gastar comigo mesmo." 
  • "Vou parar de me envolver em atos sexuais que possam colocar minha saúde em risco." 
  • "Vou parar de me enganar sobre meus sentimentos ou motivações.”
  •  "Vou parar de me comportar de forma tão desagradável que meus amigos se sintam mal e se afastem." 
  • "Vou parar de me agredir verbalmente." 
  • "Vou parar de falar indiscriminadamente sobre meus assuntos pessoais, dúvidas ou preocupações.”
  • "Vou parar de pensar em como me superar por ser perfeccionista." 
  • "Vou parar de pensar de forma autodestrutiva e irracional, sabotando meus relacionamentos ou minha posição na vida." 
  • "Vou parar de me achar estúpido por tentar me aprimorar ou ajudar os outros."

Se necessário, podemos concluir reafirmando o espaço mental tranquilo e acolhedor em relação a nós mesmos. Também podemos personalizar os exemplos nas frases para se adequarem à nossa história pessoal.

Em seguida, repetimos os compromissos para nós mesmos após deixar o espelho de lado. Então, após criar um espaço tranquilo e acolhedor em relação a nós mesmos no presente, olhamos para uma série de fotos nossas ao longo da vida e criamos um espaço tranquilo e acolhedor em relação a nós mesmos naquele momento. Podemos usar as frases-chave: "Não inventarei nem contarei histórias sobre mim mesmo como eu era." "Eu me aceito como eu era.”

Prosseguimos considerando se temos pensado negativamente sobre nós mesmos como éramos naquela época. Se não pensamos assim, nos alegramos com esse fato. Se pensamos negativamente, reconhecemos os problemas e a dor que causamos. Admitindo que nossa forma de pensar foi autodestrutiva e sentindo arrependimento, tomamos a decisão de resolver nossas questões emocionais sobre aqueles tempos. Não podemos mudar o passado, mas podemos mudar nossa atitude em relação a ele e aprender com nossos erros. Assim, reafirmamos o direcionamento positivo que estamos tentando tomar em nossas vidas. Desejamos nos relacionar com nosso passado de uma forma saudável que seja baseada em uma sensibilidade equilibrada.

Nos comprometemos em voz alta a tentar parar de pensar de forma negativa sobre nós mesmos no que se refere aos tempos passados, usando três frases-chave:"

  • "Vou parar de pensar com insatisfação sobre como eu era, desejando ter agido de forma diferente." 
  • "Vou parar de pensar com ódio por mim mesmo naquela época.”
  •  "Vou parar de me achar estúpido pelo que fiz para tentar melhorar minha situação ou ajudar os outros."

No final, se necessário, reafirmamos o espaço mental tranquilo e acolhedor em relação a como éramos antes e como somos agora.

Concluímos o exercício reafirmando a base ética de nosso comportamento em relação aos outros e a nós mesmos, repetindo as frases-chave:

  • "Eu me importo comigo mesmo." 
  • "Eu me importo tanto com os efeitos de curto quanto de longo prazo de minhas ações sobre mim mesmo." 
  • "Também me importo em ser capaz de me respeitar pela forma como ajo, falo e penso." 
  • "Não desejo jamais perder minha dignidade." 
  • "Eu me importo com os outros." 
  • "Eu me importo tanto com os efeitos de curto quanto de longo prazo de minhas ações sobre os outros." 
  • "Também me importo que os outros sejam capazes de respeitar minha família, meus amigos, meu gênero, minha raça, minha religião e meu país pela forma como me comporto." 
  • "Não desejo jamais desonrá-los." 
  • "Portanto, tentarei não agir, falar ou pensar por apego, ganância, raiva, arrogância, inveja ou ingenuidade."

Este exercício nos pede para confrontar aspectos de nós mesmos que muitos de nós preferiríamos esquecer. Consequentemente, pode nos fazer sentir desconfortáveis ou envergonhados, especialmente diante de um parceiro. Se isso acontecer, podemos tentar sentir a emoção passar como uma onda no oceano. Em seguida, precisamos reafirmar nossas qualidades positivas que descobrimos no exercício anterior. Com o esforço adequado, podemos usá-las para superar nossos aspectos negativos.

Estrutura do Exercício 5: A Determinação de Evitar o Comportamento Destrutivo

As dez ações destrutivas

  • causar dano físico
  • tomar o que não foi dado
  • entregar-se a comportamento sexual inadequado
  • mentir 
  • falar de uma forma que divide 
  • usar linguagem ríspida 
  • falar palavras fúteis 
  • ter pensamentos de cobiça 
  • ter pensamentos maliciosos
  • pensamento distorcido e antagônico

I. Focando em alguém de sua vida

1. No que diz respeito ao seu comportamento prévio

  • Crie um espaço mental tranquilo e acolhedor para si mesmo, usando as frases-chave:
    • "Não inventarei nem contarei histórias sobre mim mesmo.”
    • "Eu me aceito como eu sou"
  • Para cada uma das dez ações destrutivas, lembre de um incidente em que alguém agiu dessa forma com você 
  • Lembre-se de como se sentiu magoado ou de como reprimiu seus sentimentos 
  • Lembre de um incidente em que você agiu da mesma forma com outra pessoa, olhando para uma fotografia ou simplesmente pensando nela 
  • Pense na dor que ela deve ter sentido 
  • Reconheça seu erro 
  • Arrependa-se de seu comportamento 
  • Tenha a determinação de se livrar dele 
  • Prometa à pessoa tentar não repetir tal comportamento 
  • Reafirme o direcionamento positivo que está tentando seguir em sua vida: desenvolver sensibilidade equilibrada 
  • Solte quaisquer pensamentos ou emoções residuais sobre o incidente, reafirmando:
    • "Não inventarei nem contarei histórias sobre mim mesmo.”
    • “Eu me aceito como eu sou."

2. Em relação ao seu comportamento com pessoas específicas de sua vida 

  • Crie um espaço mental tranquilo e acolhedor em relação a si mesmo, como no passo anterior 
  • Olhe para uma fotografia ou simplesmente pense em alguém com quem você tem ou teve um relacionamento próximo e caloroso 
  • Crie um espaço mental tranquilo e acolhedor em relação à pessoa, usando as frases-chave
    • "Não inventarei nem contarei histórias sobre você." 
    •  "Você é um ser humano e tem sentimentos.
  • Verifique se você já agiu de cada uma das dez formas destrutivas com a pessoa
    • Se você não agiu assim com a pessoa, alegre-se por isso.
  • Depois de cada uma das dez, se você agiu dessa forma:
    •  Pense na dor que causou 
    • Reconheça seu erro 
    • Arrependa-se de seu comportamento 
    • Tenha a determinação de se livrar do hábito destrutivo 
    • Assegure à pessoa que tentará não agir assim com ela no futuro 
    • Reafirme o direcionamento positivo que está tentando tomar em sua vida: você deseja desfrutar de um relacionamento saudável com a pessoa, baseado em uma sensibilidade equilibrada 
    •  Se você é propenso à culpa e à baixa autoestima, solte quaisquer pensamentos ou emoções residuais sobre seu comportamento, seja após cada uma das ações destrutivas ou após algumas delas, reafirmando o espaço mental tranquilo e acolhedor em relação a si mesmo, como antes 
  • Fortaleça sua intenção, repetindo após o facilitador do grupo, ou dizendo em voz alta sozinho, frases-chave com exemplos comuns de cada ação destrutiva:
    • "Não tratarei você de forma fisicamente agressiva." 
    • "Não usarei nada seu sem permissão." 
    • "Não importunarei sexualmente nem você nem seu parceiro." 
    • "Não mentirei para você sobre meus sentimentos ou intenções." 
    • "Não tentarei separar você de seus amigos dizendo coisas ruins sobre eles." 
    • "Não agredirei você verbalmente." 
    • "Não trairei sua confiança revelando seus assuntos pessoais a outros." 
    • "Não pensarei com inveja sobre o que você conquistou." 
    • "Não pensarei de forma maliciosa em como prejudicar você, caso você diga ou faça algo de que eu não goste.
    • "Se você estiver se esforçando para se aprimorar ou ajudar os outros, não vou achar que você é estúpido, mesmo que o que você escolheu não seja do meu interesse."
  • Repita o procedimento concentrando-se em uma foto ou no pensamento de um simples conhecido 
  • Repita o procedimento concentrando-se em uma foto ou no pensamento de alguém com quem você tem ou teve um relacionamento difícil

3. Ao se concentrar em fotos de revistas de pessoas anônimas, repita em voz alta as frases-chave e, após cada linha, olhe para as pessoas uma a uma e prometa não agir dessa forma com elas

II. Ao se concentrar em alguém pessoalmente

1. Ao sentar em círculo com um grupo e se concentrar em cada pessoa por vez a cada passo

  • Ao olhar para baixo, crie um espaço tranquilo e acolhedor em relação a si mesmo 
  • Ao olhar ao redor do círculo, crie um espaço tranquilo e acolhedor em relação a cada membro 
  • Repita o procedimento seguido ao se concentrar nas fotos de revistas de pessoas anônimas

2. Ao se concentrar em um parceiro

  • Repetindo o procedimento seguido com os membros do círculo, um parceiro repete as dez frases-chave em voz alta em um ritmo confortável, fazendo uma pausa por alguns momentos após cada uma, enquanto o outro parceiro escuta
    • O falante se concentra no desejo sincero de nunca prejudicar a outra pessoa, pensando que ela aceita e acredita no que ele está garantindo como também confia nele 
    • Avançando pelos dez pontos, o falante se sente cada vez mais responsável por seu comportamento no relacionamento 
    • O ouvinte se concentra em se sentir seguro e protegido com o falante
  • Deixe a experiência se assentar olhando para baixo ou fechando os olhos e então se concentrando na respiração 
  • Troque os papéis 
  •  Para cada uma das dez frases, os parceiros se alternam: primeiro um dá a garantia e depois o outro repete as mesmas palavras, com ambos se concentrando na geração e aceitação mútua de responsabilidade, segurança e confiança

III. Ao focar em você mesmo

1. Ao olhar para um espelho

  • Crie um espaço mental tranquilo e acolhedor em relação a si mesmo 
  • Verifique se você agiu de alguma das dez formas destrutivas em relação a si mesmo 
  • Se você não agiu assim consigo mesmo, alegre-se com esse fato 
  • Após cada uma das dez, se você agiu dessa forma:
    • Reconheça os problemas e a dor que causou a si mesmo 
    • Admita que seu comportamento foi errado  
    • Sinta arrependimento 
    • Tenha a determinação de se livrar do hábito destrutivo 
    • Reafirme o direcionamento positivo que está tentando seguir em sua vida: você deseja se relacionar consigo mesmo de uma forma saudável, baseada em uma sensibilidade equilibrada
  • Prometa a si mesmo tentar parar de ser autodestrutivo, repetindo após o facilitador do grupo, ou dizendo em voz alta sozinho, as frases-chave:
    • “Vou parar de me maltratar fisicamente trabalhando demais, me alimentando mal ou não dormindo o suficiente."
    • “Vou parar de desperdiçar meu dinheiro em coisas triviais ou de ser mesquinho e avarento ao gastar comigo mesmo."
    • "Vou parar de me envolver em atos sexuais que possam colocar minha saúde em risco."
    • "Vou parar de me enganar sobre meus sentimentos ou motivações."
    • "Vou parar de me comportar de forma tão desagradável que meus amigos se sintam mal e se afastem."
    • "Vou parar de me agredir verbalmente."
    • "Vou parar de falar indiscriminadamente sobre meus assuntos pessoais, dúvidas ou preocupações."
    • "Vou parar de pensar em como me superar por ser perfeccionista."
    • "Vou parar de pensar de forma autodestrutiva e irracional, sabotando meus relacionamentos ou minha posição na vida."
    • "Vou parar de me achar estúpido por tentar me aprimorar ou ajudar os outros."

2. Repita os dez compromissos sem o espelho 

3. Ao olhar para uma série de fotografias suas ao longo da vida

  • Crie um espaço mental tranquilo e acolhedor em relação a si mesmo como você é agora 
  •  Olhe para as fotos uma a uma e crie um espaço tranquilo e acolhedor em relação a si mesmo como você era então, repetindo em voz alta as frases-chave:
    • "Não inventarei nem contarei histórias sobre como eu era naquela época." 
    •  “Eu me aceito como eu era naquela época."
  • Verifique se você tem pensado de forma negativa sobre você mesmo em relação a como era naquela época
    • Se você não pensou dessa forma, alegre-se por isso.
  • Se você pensou de forma negativa sobre como você era naquela época
    • Reconheça os problemas e a dor que causou a si mesmo 
    • Admita que sua forma de pensar foi um erro 
    • Sinta arrependimento 
    • Tome a decisão de resolver suas questões emocionais sobre seu passado 
    • Reafirme o direcionamento positivo que está tentando tomar em sua vida: você deseja se relacionar com seu passado de uma forma saudável, baseada em uma sensibilidade equilibrada
  • Prometa tentar parar de pensar de forma negativa sobre você mesmo naqueles tempos, repetindo em voz alta as frases-chave:
    • "Vou parar de pensar com insatisfação sobre como eu era então, desejando ter agido de forma diferente."
    • "Vou parar de pensar com ódio sobre mim mesmo naquela época."
    • "Vou parar de me achar estúpido pelo que fiz então para tentar melhorar minha situação ou ajudar os outros."
  • Se necessário, reafirme o espaço mental tranquilo e acolhedor em relação a si mesmo como você era então 
  • Olhe para baixo e, se necessário, reafirme o espaço mental tranquilo e acolhedor em relação a si mesmo como você é agora

4. Reafirme a base ética de seu comportamento em relação aos outros e a si mesmo, repetindo em voz alta as frases-chave:

  • "Eu me importo comigo mesmo."
  • "Eu me importo tanto com os efeitos de curto quanto de longo prazo de minhas ações sobre mim mesmo."
  • 'Também me importo em ser capaz de me respeitar pela forma como ajo, falo e penso."
  • "Não desejo jamais perder minha dignidade.”
  • "Eu me importo com os outros."
  • "Eu me importo tanto com os efeitos de curto quanto de longo prazo de minhas ações sobre os outros."
  • "Também me importo que os outros sejam capazes de respeitar minha família, meus amigos, meu gênero, minha raça, minha religião e meu país pela forma como me comporto."
  • "Não desejo jamais desonrá-los."
  • "Portanto, tentarei não agir, falar ou pensar por apego, ganância, raiva, arrogância, inveja ou ingenuidade."
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